{"id":93,"date":"2006-10-01T10:56:58","date_gmt":"2006-10-01T09:56:58","guid":{"rendered":"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/carta-do-movimento\/"},"modified":"2006-10-01T11:00:22","modified_gmt":"2006-10-01T10:00:22","slug":"carta-do-movimento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/carta-do-movimento\/","title":{"rendered":"Carta do Movimento"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pre\u00e2mbulo<\/strong><\/p>\n<p>Os combates pela democracia e pela liberdade travados, durante quase cinquenta anos, pelo povo portugu\u00eas culminaram, a 25 de Abril de 1974, com o derrube do regime fascista e colonialista.<\/p>\n<p>Com a instaura\u00e7\u00e3o do Estado de Direito, o regime democr\u00e1tico que passou, ent\u00e3o, a vigorar, reconheceu, em parte, o papel dos resistentes antifascistas, atrav\u00e9s, nomeadamente, da sua consagra\u00e7\u00e3o p\u00fablica oficial.<\/p>\n<p>Todavia, e pese embora o valioso trabalho desenvolvido neste campo por algumas entidades, nunca as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, ben\u00e9volas para com os carrascos da ditadura, prestaram a devida homenagem \u00e0 Resist\u00eancia nem cuidaram de transmitir \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es o significado dessa luta. Tampouco salvaguardaram, para mem\u00f3ria futura, aqueles locais cujos nomes ainda hoje s\u00e3o sin\u00f3nimo de opress\u00e3o, de brutalidade, quando n\u00e3o mesmo de morte, mas tamb\u00e9m de her\u00f3ica resist\u00eancia. E estes locais acabaram, em geral, ou abandonados ou utilizados para os mais diversos fins, alguns particulares outros do pr\u00f3prio Estado democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Por omiss\u00e3o, as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas acabaram por provocar o alheamento da sociedade perante tais mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Face \u00e0 tentativa de apagamento da mem\u00f3ria da resist\u00eancia ao fascismo, um grupo de cidad\u00e3os manifestou-se publicamente junto \u00e0 antiga sede da PIDE\/DGS, em 5 de Outubro de 2005, para protestar contra a transforma\u00e7\u00e3o daquele edif\u00edcio em condom\u00ednio fechado, sem que fosse assegurada uma adequada men\u00e7\u00e3o ao sofrimento causado a tantas portuguesas e portugueses pela pol\u00edcia pol\u00edtica do regime ditatorial.<\/p>\n<p>Desta iniciativa c\u00edvica nasceu o Movimento C\u00edvico <em>\u201cN\u00e3o Apaguem a Mem\u00f3ria!\u201d<\/em>, motivado pela exig\u00eancia da salvaguarda, investiga\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria da resist\u00eancia antifascista e que considera ser responsabilidade do Estado, do conjunto dos poderes p\u00fablicos e da sociedade a preserva\u00e7\u00e3o condigna dessa mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Porque sem mem\u00f3ria n\u00e3o h\u00e1 futuro.<\/p>\n<p>A multiplicidade das iniciativas levadas a cabo pelo Movimento, a crescente ades\u00e3o de activistas e apoiantes a esta causa nacional, tornam desej\u00e1vel a elabora\u00e7\u00e3o de uma Carta do Movimento que venha explicitar os princ\u00edpios gerais que orientam a sua organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento.<\/p>\n<p><strong>1. Natureza<\/strong><\/p>\n<p>O Movimento C\u00edvico <em>\u201cN\u00e3o Apaguem a Mem\u00f3ria!\u201d<\/em> \u00e9 um movimento de \u00e2mbito nacional, democr\u00e1tico, plural e aberto, ao qual podem aderir todos os cidad\u00e3os que se revejam na sua natureza, princ\u00edpios e objectivos.<\/p>\n<p><strong>2. Princ\u00edpios<\/strong><\/p>\n<p>O <em>Movimento C\u00edvico \u201cN\u00e3o Apaguem a Mem\u00f3ria!\u201d<\/em> rege-se pelos princ\u00edpios e regras gerais consignados universalmente em democracia, dando particular relevo a:<\/p>\n<p><u>Independ\u00eancia<\/u> \u2013 relativamente ao Estado, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, empresariais, sindicais e \u00e0s confiss\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p><u>Transpar\u00eancia<\/u> \u2013 no relacionamento com a sociedade civil e com o Estado.<\/p>\n<p><u>Solidariedade<\/u> \u2013 para com todos os presos pol\u00edticos ou v\u00edtimas do fascismo, sem qualquer discrimina\u00e7\u00e3o nomeadamente, de ordem pol\u00edtica, religiosa ou \u00e9tnica.<\/p>\n<p><uCoopera\u00e7\u00e3o<\/u> \u2013 com outros movimentos e organiza\u00e7\u00f5es que prossigam fins similares ou que pretendam levar a cabo ac\u00e7\u00f5es que se enquadrem nos princ\u00edpios e objectivos do Movimento.<\/p>\n<p><strong>3. Objectivos<\/strong><\/p>\n<p><u>Lutar pela salvaguarda<\/u> da mem\u00f3ria da resist\u00eancia \u00e0 ditadura do Estado Novo, para que seja dignificada a luta pela liberdade e pela democracia.<\/p>\n<p><u>Exigir dos poderes p\u00fablicos<\/u> e, em particular, do Estado portugu\u00eas, a preserva\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria da resist\u00eancia, nomeadamente atrav\u00e9s da dignifica\u00e7\u00e3o dos locais emblem\u00e1ticos, tal como, dentre outros, a cadeia do Aljube, o Forte de Peniche, o Forte de Caxias, a sede da PIDE\/DGS e suas delega\u00e7\u00f5es no Porto, em Coimbra\u2026, os Tribunais Plen\u00e1rios da Boa Hora em Lisboa e de S. Jo\u00e3o Novo no Porto, o Tribunal Militar, os Pres\u00eddios Militares, a Companhia Disciplinar de Penamacor, a Pris\u00e3o de Angra do Hero\u00edsmo e o Campo de Concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal, transformando-os em lugares de mem\u00f3ria da resist\u00eancia e da liberdade conquistada.<\/p>\n<p><u>Sensibilizar a sociedade civil<\/u> para os objectivos do Movimento com vista \u00e0 sua colabora\u00e7\u00e3o activa.<\/p>\n<p><strong>4. Organiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo do Movimento \u00e9 o <u>Plen\u00e1rio de activistas<\/u> ao qual compete estabelecer as principais linhas de orienta\u00e7\u00e3o e actua\u00e7\u00e3o do Movimento e aprovar a constitui\u00e7\u00e3o dos Grupos de Trabalho e do Grupo de Liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A estrutura operativa do Movimento reside nos <u>Grupos de Trabalho<\/u>, de car\u00e1cter territorial ou tem\u00e1tico, criados de acordo com as necessidades que se revelem em cada momento, decididas em Plen\u00e1rio de activistas, tendo em vista a prossecu\u00e7\u00e3o dos objectivos do Movimento. Estes grupos de trabalho decidem do seu funcionamento.<\/p>\n<p>A fim de manter a coordena\u00e7\u00e3o entre os diversos Grupos de Trabalho, por forma a facilitar a troca de informa\u00e7\u00f5es e a efic\u00e1cia de esfor\u00e7os, \u00e9 criado um <u>Grupo de Liga\u00e7\u00e3o<\/u>, constitu\u00eddo: por representantes dos Grupos de Trabalho e por proposta destes, e por designa\u00e7\u00e3o do Plen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>5. Funcionamento<\/strong><\/p>\n<p>O funcionamento do Movimento rege-se por princ\u00edpios estritamente democr\u00e1ticos, nomeadamente:<\/p>\n<p><u>Legitimidade<\/u> \u2013 conferida em exclusividade pelo Plen\u00e1rio de activistas.<\/p>\n<p><u>Responsabilidade<\/u> \u2013 para com o Movimento, em termos do desempenho e execu\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es ou actividades para os quais tenha sido escolhido e aceitado participar.<\/p>\n<p><u>Transpar\u00eancia<\/u> \u2013 no seu funcionamento interno, nomeadamente quanto \u00e0s formas e estruturas mais adequadas e eficientes para, em cada momento, dar corpo \u00e0s linhas de orienta\u00e7\u00e3o e actua\u00e7\u00e3o definidas em Plen\u00e1rio de activistas.<\/p>\n<p>Movimento C\u00edvico N\u00e3o Apaguem a Mem\u00f3ria!<br \/>\nRua da Miseric\u00f3rdia 95  1200-271 Lisboa<br \/>\nhttp:\/\/maismemoria.org<br \/>\nE-Mail: <a href=\"mailto:&#x63;&#x6f;&#x6e;&#x74;&#x61;&#x63;&#x74;&#x6f;&#x40;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x73;&#x6d;&#x65;&#x6d;&#x6f;&#x72;&#x69;&#x61;&#x2e;&#x6f;&#x72;&#x67;\"><span class=\"oe_textdirection\">&#x67;&#x72;&#x6f;&#x2e;&#x61;&#x69;&#x72;&#x6f;&#x6d;&#x65;&#x6d;&#x73;&#x69;&#x61;&#x6d;<span class=\"oe_displaynone\">null<\/span>&#x40;&#x6f;&#x74;&#x63;&#x61;&#x74;&#x6e;&#x6f;&#x63;<\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><em>[ vers\u00e3o da <a id=\"p94\" href=\"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-content\/uploads\/2006\/10\/carta_do_movimento.pdf\">Carta do Movimento<\/a> (em formato PDF). ]<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pre\u00e2mbulo Os combates pela democracia e pela liberdade travados, durante quase cinquenta anos, pelo povo portugu\u00eas culminaram, a 25 de Abril de 1974, com o derrube do regime fascista e colonialista. Com a instaura\u00e7\u00e3o do Estado de Direito, o regime &hellip; <a href=\"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/carta-do-movimento\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-93","page","type-page","status-publish","hentry"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/PtMuS-1v","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/93","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/93\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}