{"id":1134,"date":"2011-11-25T21:41:35","date_gmt":"2011-11-25T21:41:35","guid":{"rendered":"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/?p=1134"},"modified":"2011-12-02T21:35:10","modified_gmt":"2011-12-02T21:35:10","slug":"notas-biograficas-dos-investigadores-e-docentes-alvo-de-depuracao-politica-das-universidades-portuguesas-pelo-estado-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2011\/11\/25\/notas-biograficas-dos-investigadores-e-docentes-alvo-de-depuracao-politica-das-universidades-portuguesas-pelo-estado-novo\/","title":{"rendered":"Notas Biogr\u00e1ficas dos Investigadores e Docentes alvo de Depura\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica das Universidades Portuguesas pelo Estado Novo"},"content":{"rendered":"<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: 'Bookman Old Style', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Da Brochura que faz parte da homenagem aos professores universit\u00e1rios demitidos pelo Estado Novo<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: 'Bookman Old Style', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>E que tem o t\u00edtulo:<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000; font-family: Cambria, serif;\"><strong>A DEPURA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA DO CORPO DOCENTE DAS<br \/>\n<\/strong><\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000; font-family: Cambria, serif;\"><strong>UNIVERSIDADES PORTUGUESAS<br \/>\n<\/strong><\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000; font-family: Cambria, serif;\"><strong>DURANTE O ESTADO NOVO<br \/>\n<\/strong><\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000; font-family: Cambria, serif;\"><strong>(1933-1974)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: 'Bookman Old Style', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Capitulo III<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: 'Bookman Old Style', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Notas Biogr\u00e1ficas dos Investigadores e Docentes alvo de Depura\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica das Universidades Portuguesas pelo Estado Novo<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>1934<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Ant\u00f3nio Barros Machado<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1912-2002)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade do Porto foi nomeado, em 1934, assistente extraordin\u00e1rio de Zoologia. Nesse ano \u00e9-lhe rescindido o contrato, juntamente com outros assistentes da Faculdade de Ci\u00eancias (ver Cap. II), por terem subscrito um documento de critica \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do ensino. Vai trabalhar, ent\u00e3o, para o Museo Nacional de Ciencias Naturalles, em Madrid. A Guerra Civil interrompe-lhe o curso de doutoramento na Universidad de Madrid, regressando ao Porto em 1936. Estagia depois no Museum d\u2019 Histoire Naturelle de Paris. Antigo assistente e admirador de Ruy Lu\u00eds Gomes, neto de Bernardino Machado, apoiante da resist\u00eancia democr\u00e1tica ao regime, nunca voltar\u00e1 a ser admitido nas Universidades portuguesas devido \u00e0 informa\u00e7\u00e3o negativa da policia pol\u00edtica, n\u00e3o obstante o seu curriculum e altas classifica\u00e7\u00f5es. Opta pelo ensino secund\u00e1rio particular e depois parte para Angola, onde dirige o Laborat\u00f3rio de Investiga\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica do Dundo at\u00e9 1973. Em 1978, j\u00e1 com a Democracia, torna-se presidente da Sociedade Portuguesa de Etnologia e, em 1990, recebe o doutoramento <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Honoris Causa <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> pelo Instituto Biom\u00e9dico Abel Salazar da Universidade do Porto, \u00e0 qual ficou ligado como professor catedr\u00e1tico Jubilado.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Henrique V\u00edtor Ziller P\u00e9rez<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00c9 nomeado assistente extraordin\u00e1rio de Zoologia e Antropologia da Sec\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Hist\u00f3rico-Naturais da Faculdade de Ci\u00eancias do Porto em 1932. V\u00ea ser-lhe rescindido o contrato em 1934 pelas mesmas raz\u00f5es de ordem pol\u00edtica que levaram ao afastamento de dois outros assistentes da FCUP nesse ano ( ver cap. II). Ter\u00e1 falecido pouco depois.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Lu\u00eds Neves Real<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1910-1935)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Activista do movimento estudantil contra a Ditadura no inicio dos anos 30 na Universidade do Porto, \u00e9 desse per\u00edodo que vem o conhecimento com o jovem 1\u00ba assistente da Faculdade de Ci\u00eancias, Ruy Lu\u00eds Gomes, de quem ser\u00e1 amigo, colaborador cientifico e companheiro de lutas pol\u00edticas durante d\u00e9cadas. Licenciado pela FCUP em Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas com elevadas classifica\u00e7\u00f5es em 1932 (e em engenharia electrot\u00e9cnica em 1937), \u00e9-lhe rescindido o contrato por raz\u00f5es pol\u00edticas dois anos depois, o que n\u00e3o o impede de, com Ruy Lu\u00eds Gomes, ser um dos grandes impulsionadores do Movimento Matem\u00e1tico desde meados dos anos 30 at\u00e9 1948 (ver nota 13 do Cap. I do presente trabalho), animando o Centro de Estudos Matem\u00e1ticos do Porto, a Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica e o Semin\u00e1rio de Matem\u00e1tica ( que chegou a funcionar em sua casa, quando o cerco do regime se come\u00e7ou a apertar). Volta a ser contratado como assistente da FCUP em 1942, mas a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e da liberdade acad\u00e9mica levam-no a rescindir o contrato em 1945, dedicando-se ent\u00e3o de corpo e alma ao Centro de Estudos Matem\u00e1ticos do Porto que s\u00f3 abandona quando o seu mentor, Ruy Lu\u00eds Gomes, \u00e9 demitido.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>1935<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Abel Salazar<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1889-1946)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciou-se pela Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto em 1915. No ano seguinte inicia a sua carreira docente universit\u00e1ria e em 1918 \u00e9 nomeado Professor catedr\u00e1tico de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ao mesmo tempo que participa nas primeiras exposi\u00e7\u00f5es de pintura. A partir de 1932 participa numa campanha de educa\u00e7\u00e3o positiva da juventude enquadrada por associa\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas republicanas e anti-salazaristas. A persegui\u00e7\u00e3o cens\u00f3ria aos seus escritos ( estava proibido de versar em p\u00fablico mat\u00e9rias n\u00e3o cientificas) levaram-no a abandonar o pa\u00eds para um curto ex\u00edlio volunt\u00e1rio em Paris entre Mar\u00e7o e Agosto de 1934.Em Maio deste ano \u00e9 apanhado pela primeira grande purga pol\u00edtica da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e da Universidade ( ver caps. I e II), sendo compulsivamente exonerado da doc\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 autorizado a sair do pa\u00eds e dedica-se intensamente \u00e0 pintura e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e ensa\u00edstica em v\u00e1rios jornais e revistas. Nos seus textos demarca-se do fascismo e tamb\u00e9m do comunismo, afirma o seu anticlericalismo e defende uma concep\u00e7\u00e3o cientifico-filos\u00f3fica inspirada no agnosticismo. Em 1941, gra\u00e7as ao seu grande prest\u00edgio acad\u00e9mico, \u00e9 reintegrado na Faculdade de Farm\u00e1cia no Porto, onde dirige o Centro de Estudos Microsc\u00f3picos. Mant\u00e9m, todavia, as suas actividades contra o regime, e a sua ades\u00e3o ao Movimento de Unidade Democr\u00e1tica, em 1945, originam novas persegui\u00e7\u00f5es, j\u00e1 no fim prematuro da sua vida (morre com 57 anos).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>\u00c1lvaro Isidro Faria Lapa <\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">(1882 \u2013 n\u00e3o foi poss\u00edvel determinar a data da morte)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica de Lisboa em 1906, onde \u00e9 professor especializado nas \u00e1reas de dermatologia e venerologia. Nomeado m\u00e9dico dos HCL, dirige de 1911 a 1935 a consulta de doen\u00e7as ven\u00e9reas do Hospital dos Deterros. Participa activamente, durante mais de 20 anos, em diversas publica\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0s ci\u00eancias m\u00e9dicas e em associa\u00e7\u00f5es internacionais de dermatologia destacando-se o seu papel como representante de Portugal na Comiss\u00e3o Internacional de Luta contra a Lepra. Foi demitido na vaga de depura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Jun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e da Universidade ordenada pelo Governo em Maio de 1935.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Aur\u00e9lio Pereira da Silva Quintanilha<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1892-1987)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Ci\u00eancias Hist\u00f3rico Naturais pela Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Coimbra, entra na carreira docente universit\u00e1ria em 1919 como assistente do grupo de bot\u00e2nica e dinamizador de um centro de estudos de biologia experimental. \u00c9 nomeado catedr\u00e1tico em 1926, sendo Director do Laborat\u00f3rio Bot\u00e2nico. Em 1928 parte para um est\u00e1gio na Universidade de Berlim, especializando-se em gen\u00e9tica de fungos e ganhando notoriedade internacional. Regressa a Portugal e \u00e0 doc\u00eancia em 1931 sendo aposentado compulsivamente pela purga politica de Maio de 1935 (ver caps. I e II). Sem meios de subsist\u00eancia, aceita a oferta de uma bolsa do governo ingl\u00eas sugerida por bot\u00e2nicos brit\u00e2nicos conhecedores do seu trabalho cient\u00edfico, podendo prosseguir as suas investiga\u00e7\u00f5es num laborat\u00f3rio \u00e0 sua escolha. Quando estala a II Guerra Mundial alista-se como volunt\u00e1rio no ex\u00e9rcito franc\u00eas regressando a Portugal em 1940. Trabalha, ent\u00e3o, a t\u00edtulo gracioso na Esta\u00e7\u00e3o Agron\u00f3mica Nacional (a reforma compulsiva impedia-o de exercer qualquer fun\u00e7\u00e3o remunerada no Estado). Em 1943 ganha o pr\u00e9mio Artur Malheiros e parte para Louren\u00e7o Marques onde vai dirigir os servi\u00e7os da Junta de Exporta\u00e7\u00e3o de Algod\u00e3o (sendo um organismo de coordena\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica os seus funcion\u00e1rios n\u00e3o eram funcion\u00e1rios p\u00fablicos), chegando a ser director do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Cientifica Algodoeira. Ap\u00f3s os 25 de Abril de 1974 \u00e9 reintegrado como professor catedr\u00e1tico convidado de Bot\u00e2nica na FCUC. \u00c9 jubilado em Novembro de 1974.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Jos\u00e9 Mendes Ribeiro Norton de Matos<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1967-1955)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">General, pol\u00edtico de grande destaque na I Rep\u00fablica, foi Ministro das Col\u00f3nias e Ministro da Guerra entre 1915 e 1917, sendo um dos grandes defensores e obreiros da interven\u00e7\u00e3o militar portuguesa na frente europeia da Grande Guerra. Desde sempre ligado \u00e0 administra\u00e7\u00e3o colonial, foi Governador Geral de Angola (1912-1915) e, derrubada a situa\u00e7\u00e3o sidonista e o perigo restauracionista e reinstalado o regime constitucional de 1911, integra a delega\u00e7\u00e3o portuguesa \u00e0 Confer\u00eancia da Paz (Paris, 1919) e \u00e9 nomeado Alto Comiss\u00e1rio de Angola (1919-1924), onde a sua pol\u00edtica deixar\u00e1 um rasto profundo. \u00c9 nomeado embaixador em Londres em 1924, sendo a\u00ed surpreendido pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926 que derruba a I Rep\u00fablica (ser\u00e1 preso e deportado para os A\u00e7ores entre 1927 e 1929). \u00c9 eleito Gr\u00e3o-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido em 1929. Em 1935 a Ma\u00e7onaria \u00e9 ilegalizada e na purga da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e da Universidade do m\u00eas de Maio desse mesmo ano, Norton de Matos \u00e9 exonerado compulsivamente do cargo de professor do Instituto Superior T\u00e9cnico de Lisboa. Figura tutelar da oposi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica ao regime salazarista, Norton de Matos participar\u00e1 em v\u00e1rias conspira\u00e7\u00f5es para o derrubar ao longo dos anos 30 e 40 e presidir\u00e1 aos grandes projectos unit\u00e1rios da oposi\u00e7\u00e3o nos anos 40: ao clandestino MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Antifascista), ao legalmente tolerado (entre 1945 e 1948) MUD (Movimento da Unidade Democr\u00e1tica) e ser\u00e1 o primeiro candidato apresentado pela oposi\u00e7\u00e3o unida \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais do regime, em 1949, onde acaba por n\u00e3o se apresentar por falta de condi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Manuel Rodrigues Lapa<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1897-1989)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Uma das figuras cimeiras da filologia, do ensaismo e da cr\u00edtica liter\u00e1ria no s\u00e9culo XX portugu\u00eas, licenciou-se em Filologia rom\u00e2nica em 1919 pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor liceal de 1920 a 1928, ano em que entra como assistente na FLUL. Bolseiro da Junta de Educa\u00e7\u00e3o Nacional em Paris (1929-1930) doutorou-se na Sorbonne. Em 1932\/33, em raz\u00e3o das suas opini\u00f5es sobre a \u201cpol\u00edtica do idioma nas Universidades\u201d, n\u00e3o s\u00f3 lhe v\u00ea recusada a abertura do concurso para catedr\u00e1tico , como n\u00e3o lhe \u00e9 renovado o contrato pela Faculdade. Face aos protestos dos alunos, consegue ser colocado como professor auxiliar agregado num outro concurso em 1933. Mas em Maio de 1935 \u00e9 exonerado compulsivamente na purga pol\u00edtica desse ano, por n\u00e3o dar garantias de fidelidade ao regime. Ser\u00e1 director do jornal <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>O Diabo<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> de 1935 a 1937, desenvolve intensa actividade como ensa\u00edsta e publicista e d\u00e1 cursos particulares que influenciam profundamente os estudantes de literatura. Apoiante da candidatura presidencial de Norton de Matos \u00e9 preso em 1949. Em 1954 exila-se no Brasil onde leccionar\u00e1 em universidades de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. Regressa a Portugal em 1962 onde continuar\u00e1 a sua intensa produ\u00e7\u00e3o ensa\u00edstica e cr\u00edtica aos sistemas de ensino e investiga\u00e7\u00e3o. O p\u00f3s 25 de Abril de 1974 prestar-lhe-\u00e1 v\u00e1rias homenagens acad\u00e9micas e politicas.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>S\u00edlvio Rodrigues Lapa<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1904-1993)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Fil\u00f3sofo, psic\u00f3logo, livre-pensador e professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Inicia a sua carreira docente no ano em que se licencia em 1927, leccionando nas \u00e1reas da Psicologia, da Filosofia, de Hist\u00f3ria, da Pedagogia e da Did\u00e1ctica. Doutorou-se em Fran\u00e7a em 1928 com aquela que \u00e9 considerada a primeira tese de um portugu\u00eas no campo da psicologia da cogni\u00e7\u00e3o. Amigo e correspondente ass\u00edduo de figuras da intelectualidade oposicionista ao salazarismo, como Ant\u00f3nio S\u00e9rgio ou Manuel Mendes, os olhos do regime d\u00e3o por ele quando publica umas \u201cnotas cr\u00edticas\u201d a um livro do cardeal Cerejeira, em 1930. Em 1935 \u00e9 demitido do seu cargo na purga pol\u00edtica da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Maio desse ano. \u00c9 reintegrado na Universidade em 1942, onde a sua ac\u00e7\u00e3o passa a ser sujeita a um apertado escrut\u00ednio sobre o espartilho pol\u00edtico e pedag\u00f3gico j\u00e1 existente. Pede a demiss\u00e3o, desgostoso e cansado, que lhe \u00e9 concedida em <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">1965,<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> mantendo sempre uma atitude fortemente cr\u00edtica do regime. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>1941<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Jos\u00e9 Maria Vilhena Barbosa de Magalh\u00e3es<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1879-1959)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, republicano, foi eleito deputado \u00e0 Assembleia Constituinte em 1911. Entre 1913 e 1922 foi Ministro da Justi\u00e7a, da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica e dos Neg\u00f3cios Estrangeiros. Em 1933 \u00e9 eleito Baston\u00e1rio da Ordem dos Advogados. Reputado Jurista, presidiu a v\u00e1rias comiss\u00f5es internacionais de Direito Internacional comparado, deixando vasta obra jur\u00eddica em publica\u00e7\u00f5es da especialidade. Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa onde leccionava a cadeira de Direito Comercial foi objecto de insistentes press\u00f5es pol\u00edticas que resultaram na exonera\u00e7\u00e3o coerciva das suas fun\u00e7\u00f5es docentes em 1941. Posteriormente, em 1945, foi eleito dirigente do MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>1946<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Bento de Jesus Gara\u00e7a<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1901-1948)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Figura cimeira da cultura, da ci\u00eancia e do pensamento do s\u00e9culo XX portugu\u00eas, distinguiu-se igualmente na resist\u00eancia antifascista e na cria\u00e7\u00e3o dos instrumentos de uma moderna cultura democr\u00e1tica e de massas no pa\u00eds. Licenciado em 1924 pelo Instituto Superior de Ci\u00eancias Econ\u00f3micas e Financeiras (ISCEF) da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa entrou para assistente logo no 2\u00ba ano do curso. Professor de Matem\u00e1ticas Superiores \u2013 \u00c1lgebra Superior e cadeiras afins, foi nomeado catedr\u00e1tico dessas \u00e1reas de estudo em 1930, com 29 anos. Foi com Aniceto Monteiro, Ruy Lu\u00eds Gomes e v\u00e1rios outros jovens investigadores, um dos pilares do Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13 do cap\u00edtulo I), criando e dirigindo o <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Centro de Estudos Matem\u00e1ticos Aplicados \u00e0 Economia<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, integrado no ISCEF, desde 1938 at\u00e9 1946. Co-fundador da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">(a que presidiu em 1943\/44), da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Gazeta de Matem\u00e1tica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Junta de Investiga\u00e7\u00e3o Matem\u00e1tica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, da revista <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Portugaliae Mathematica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, desenvolveu larga actividade de lecciona\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea \u2013 designadamente no campo da econometria. Dessa obra cabe salientar o livro cl\u00e1ssico <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Conceitos Fundamentais de Matem\u00e1tica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">. Recusando fechar-se no mundo acad\u00e9mico, fiel \u00e0s suas origens sociais no mundo do trabalho rural, promoveu um vasto programa de divulga\u00e7\u00e3o cultural e cient\u00edfica de massas, sem precedentes no pa\u00eds, apesar das enormes dificuldades e restri\u00e7\u00f5es colocadas pelo regime. Os seus grandes instrumentos, entre outros, ser\u00e3o a Universidade Popular Portuguesa (a cujo Conselho Administrativo pertenceu desde a sua funda\u00e7\u00e3o em 1919) e a c\u00e9lebre Colec\u00e7\u00e3o Cosmos, editada pela UPP. Al\u00e9m da variada e inovadora actividade editorial, essa ac\u00e7\u00e3o desdobrou-se por dezenas de cursos e palestras sobre temas da cultura, da ci\u00eancia, da sociedade, realizados em sociedades recreativas, associa\u00e7\u00f5es de cultura popular, sindicatos, etc. \u00c9 fruto dessa actividade a sua emblem\u00e1tica palestra sobre: <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>A Cultura Integral do Individuo, problema central do nosso tempo.<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Militante antifascista, desde cedo se empenha nos esfor\u00e7os de unidade da resist\u00eancia ao regime na frente clandestina e na ac\u00e7\u00e3o legalmente tolerada no p\u00f3s-guerra. Ser\u00e1 membro da Liga Portuguesa contra a Guerra e o fascismo (1934), da Frente Popular Portuguesa (1936), do Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF) de que \u00e9 co-fundador em 1943 e da Comiss\u00e3o Central do Movimento de Unidade Democr\u00e1tica em 1945\/46. Em Setembro de 1946, o Ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Pires de Lima, instaura-lhe um processo disciplinar como co-signat\u00e1rio do manifesto <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>O MUD perante a admiss\u00e3o de Portugal \u00e0 ONU<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, onde se reclama a pr\u00e9via democratiza\u00e7\u00e3o do regime e o respeito pela Carta como condi\u00e7\u00e3o da sua admissibilidade nas NU. Foi demitido e expulso da Universidade em 5 de Outubro de 1946, sendo-lhe proibida a doc\u00eancia no ensino p\u00fablico e privado. Em Outubro e Dezembro desse ano \u00e9 sucessivamente preso pela PIDE. O seu Centro de Estudos Matem\u00e1ticos \u00e9 encerrado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o Nacional. Debatendo-se com dificuldades econ\u00f3micas passa a dar li\u00e7\u00f5es em sua casa que continua como activo centro de vida pol\u00edtica e cultural. Em 1948 a sua doen\u00e7a card\u00edaca agrava-se. O MUD \u00e9 ilegalizado nesse ano pelo Governo e os membros da sua comiss\u00e3o central, entre os quais Bento Cara\u00e7a, s\u00e3o presos pela PIDE. Participa ainda, em 1948, na convers\u00e3o das estruturas do ilegalizado MUD em base de apoio \u00e0 candidatura do general Norton de Matos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais de Fevereiro do ano seguinte. Mas nessa Primavera j\u00e1 est\u00e1 muito doente, vindo a falecer, na sua casa de Lisboa, em 25 de Junho de 1948, aos 47 anos. O seu funeral, encabe\u00e7ado pela juventude, constituiu uma impressionante homenagem popular \u00e0 mem\u00f3ria de Bento de Jesus Cara\u00e7a. A democracia, em 1980, condecorou-o a t\u00edtulo p\u00f3stumo com o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>M\u00e1rio de Azevedo Gomes<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1885-1965)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Politico republicano, figura tutelar da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica ao salazarismo e agr\u00f3nomo destacado nas \u00e1reas da silvicultura e estudo dos solos. Licenciado em Engenharia Agr\u00f3noma em 1907, especializou-se na investiga\u00e7\u00e3o silv\u00edcola. Foi professor da Escola Nacional de Agricultura de Coimbra (1909-1914), sendo admitido como docente do Instituto Superior de Agronomia em 1914. Exerceu diversos cargos t\u00e9cnicos e administrativos durante a I Rep\u00fablica. Por indica\u00e7\u00e3o do grupo da revista<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em> Seara Nova<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> foi Ministro da Agricultura no Governo de \u00c1lvaro de Castro entre Dezembro de 1923 e Fevereiro de 1924. Foi director da Esta\u00e7\u00e3o Agr\u00e1ria Central entre 1927 e 1936. Membro da Comiss\u00e3o Central do Movimento de Unidade Democr\u00e1tica em 1945\/46 (a que presidiu), \u00e9 alvo de um processo disciplinar como principal signat\u00e1rio do manifesto <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>O MUD perante a admiss\u00e3o de Portugal na ONU <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">em que se reclama a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o do Governo salazarista nas NU dado o seu car\u00e1cter anti-democr\u00e1tico. \u00c9 demitido da Universidade (ser\u00e1 reintegrado em 1951) e preso pela PIDE em Outubro de 1946, voltando \u00e0s pris\u00f5es pol\u00edticas em 1948, quando o MUD \u00e9 ilegalizado. Presidiu aos servi\u00e7os de candidatura do General Norton de Matos (1948-1949) e foi destacado apoiante da candidatura do general Humberto Delgado em 1958, ano em que \u00e9 novamente preso. Em 1961 \u00e9 o primeiro subscritor do <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Programa para a Democratiza\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. <\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>1947<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Adelino Jos\u00e9 da Costa<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1898-1962)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa e membro do seu corpo docente desde 1920. \u00c9 Chefe do Laborat\u00f3rio da Cl\u00ednica Proped\u00eautica do Hospital Escolar em 1922 e doutora-se em 1924, tornando-se um prestigiado cirurgi\u00e3o dos Hospitais Civis de Lisboa e do Hospital dos Capuchos. Rege a cadeira de Proped\u00eautica Cir\u00fargica e desempenha fun\u00e7\u00f5es docentes na Escola de Enfermagem Artur Ravara. Torna-se professor catedr\u00e1tico em 1947, ano em que \u00e9 aposentado compulsivamente na purga pol\u00edtica da Universidade de Junho desse ano. Ser\u00e1 reintegrado na doc\u00eancia 11 anos mais tarde, por despacho do Conselho de Ministros de 11\/11\/1959. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Alfredo Pereira Gomes<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1919-2006)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado e doutorado em Matem\u00e1tica pela Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto. Integrou a \u201cgera\u00e7\u00e3o de ouro\u201d do Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13, cap. I), colaborando activamente no Centro de Estudos Matem\u00e1ticos do Porto e nas diversas iniciativas e publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do movimento, emparceirando com Ruy Lu\u00eds Gomes, Aniceto Monteiro, Bento de Jesus Cara\u00e7a, Zaluar Nunes e v\u00e1rios outros. Em 1947, juntamente com Ruy Lu\u00eds Gomes e outros colegas, \u00e9 alvo de um processo disciplinar e demitido por ter subscrito uma carta de protesto contra a pris\u00e3o de uma estudante. Impedido de trabalhar e cortado o acesso a bolsas de estudo, abandona o pa\u00eds para Fran\u00e7a e da\u00ed, em 1953, para a Universidade do Recife, Brasil, a convite do seu reitor. Na sua esteira seguir\u00e3o, pouco depois, outros matem\u00e1ticos perseguidos politicamente que dar\u00e3o um importante contributo ao desenvolvimento das ci\u00eancias matem\u00e1ticas no Brasil e a n\u00edvel internacional. O golpe militar de 1964 apanha Alfredo Pereira Gomes a leccionar na Universidade de Nancy, em Paris, onde decide ficar. Regressa a Portugal em 1972, dedicando-se ao relan\u00e7amento da revista <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Portugaliae Mathematica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> e \u00e0 reactiva\u00e7\u00e3o da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Andr\u00e9e Jeanne Fran\u00e7oise Crabb\u00e9 Rocha<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1917-2003)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciada em Filologia pela Universidade de Bruxelas, adquire a nacionalidade portuguesa pelo casamento, em 1940, com Miguel Torga. Doutorou-se em 1944 na Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1945 integra o seu corpo docente, trabalhando com Vitorino Nem\u00e9sio. \u00c9 afastada da FLUL na vaga de depura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das universidades de Junho de 1947. Recorre ent\u00e3o \u00e0s explica\u00e7\u00f5es particulares e \u00e0s aulas na Alliance Fran\u00e7aise de Coimbra e dedica-se \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da literatura portuguesa. \u00c9 readmitida, ap\u00f3s concurso, na FLUL em 1970. Em 1976 passa a leccionar na Universidade de Coimbra. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Ant\u00f3nio Augusto Ferreira Macedo<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1887-1959)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas pela Universidade de Lisboa, \u00e9 professor liceal e do ensino t\u00e9cnico e foi um dos fundadores da Universidade Popular Portuguesa (UPP) onde faz amizade com Bento de Jesus Cara\u00e7a. Membro do \u201cgrupo da Biblioteca Nacional\u201d (com Jaime Cortes\u00e3o, Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, Raul Proen\u00e7a) \u00e9 co-fundador da revista <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Seara Nova <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">(1921) e funcion\u00e1rio superior da BN. Em Outubro de 1927 entra como assistente no Instituto Superior T\u00e9cnico, acedendo ao lugar de catedr\u00e1tico em 1943. Ensina Matem\u00e1ticas Gerais e participa no Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13 do cap. I) fazendo parte da Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica. Pedagogo e divulgador, \u00e9 um entusiasta, com Bento Cara\u00e7a, do movimento cultural de massa da UPP, designadamente na luta pela moderniza\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de ensino e de forma\u00e7\u00e3o de professores. Democrata, defensor do ensino livre, adere ao Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD) contra o regime, em 1945\/46. O que lhe valer\u00e1 ser inclu\u00eddo na purga pol\u00edtica dos professores de Junho de 1947.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Armando Carlos Gibert<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1914-1985)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em matem\u00e1tica pela Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa \u00e9 contratado como assistente de Fisica. Trabalha com Manuel Valadares, ent\u00e3o investigador do Laborat\u00f3rio de F\u00edsica da FCUL, com quem estabelece amizade, bem como com alguns dos principais animadores do Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13 do cap.I) onde se integra. Funda com Aniceto Monteiro e Hugo Ribeiro, em 1939, a <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Gazeta de Matem\u00e1tica <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">cujo primeiro n\u00famero \u00e9 publicado em Janeiro de 1940. Consegue uma bolsa do IAC para estudar no Instituto de F\u00edsica da Escola Polit\u00e9cnica de Zurique e a\u00ed defende o doutoramento. Funda com os seus \u201camigos matem\u00e1ticos\u201d a <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Gazeta de F\u00edsica <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> que aparece em Outubro de 1946. Mas em Junho de 1947 o seu nome integra a lista dos docentes demitidos por raz\u00f5es pol\u00edticas. Gra\u00e7as \u00e0 indica\u00e7\u00e3o de Manuel Valadares (tamb\u00e9m demitido) arranja um emprego da Corticeira Robinson, mas continua os seus trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o. Em 1953 consegue entrar para o Laborat\u00f3rio Nacional de Engenharia Civil (LNEC) onde permanece at\u00e9 1960. Foi um dos pioneiros da energia nuclear em Portugal, tendo sido director da Companhia Portuguesa de Industrias Nucleares. Ap\u00f3s o 25 de Abril de 1974 regressa \u00e0s suas fun\u00e7\u00f5es docentes na FCUL, sendo o seu doutoramento finalmente reconhecido. A convite da Faculdade leccionar\u00e1 at\u00e9 1979 a cadeira de Hist\u00f3ria da F\u00edsica.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Arnaldo Peres de Carvalho<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1904-1989)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Catedr\u00e1tico do Instituto Superior T\u00e9cnico da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa onde rege a cadeira de Qu\u00edmica Org\u00e2nica, dirigindo o respectivo Laborat\u00f3rio a partir de 1938. Juntamente com Ant\u00f3nio Silveira (professor de F\u00edsica no IST) e outros elementos do Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13, cap. I) funda, em 1936, o N\u00facleo de Estudos de Matem\u00e1tica. F\u00edsica e Qu\u00edmica do IST, precursor dos Centros de Estudos Matem\u00e1ticos. \u00c9 alvo da depura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das Universidades em Junho de 1947.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Augusto Pires Celestino da Costa<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1884-1956) <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Formou-se em Medicina em 1905 pela Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica de Lisboa e aprofunda os seus estudos em Berlim. Em 1911 inicia a sua carreira docente na nova Faculdade de Medicina de Lisboa, da qual ser\u00e1 director entre 1935 e 1942, sendo co-fundador do Instituto de Histologia e Embriologia. \u00c9 um dos pioneiros da organiza\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no pa\u00eds, chegando a ser, entre outras fun\u00e7\u00f5es dirigentes, presidente da Junta de Educa\u00e7\u00e3o Nacional (JEN, organismo criado em 1928 no Minist\u00e9rio de Instru\u00e7\u00e3o para apoio \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e aos investigadores) e, depois, do Instituto de Alta Cultura (IAC) que substitui a JEN com a reforma da &#8220;educa\u00e7\u00e3o nacional&#8221; do Ministro Carneiro Pacheco, em 1936. Mas ajudou ainda a fundar v\u00e1rias sociedades cientificas ligadas \u00e1s Ci\u00eancias Naturais, aos estudos pedag\u00f3gicos e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Foi exonerado compulsivamente do seu lugar de catedr\u00e1tico pelo Governo na purga pol\u00edtica das universidades, em Junho de 1947. Em Setembro desse ano foi reintegrado, ap\u00f3s recorrer da medida. Foi autor de uma vasta obra de investiga\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise cient\u00edfica, sendo considerado um dos m\u00e9dicos mais brilhantes da sua gera\u00e7\u00e3o, designadamente devido ao importante contributo que trouxe aos estudos no campo da embriologia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Augusto S\u00e1 da Costa <\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado pelo instituto Superior de Ci\u00eancias Econ\u00f3micas e Financeiras (ISCEF) da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa e admitido como assistente, \u00e9 bolseiro do IAC e doutora-se no \u00e2mbito das investiga\u00e7\u00f5es realizadas no centro de Estudos de Matem\u00e1ticas Aplicadas \u00e1 Economia, dirigido por Bento de Jesus Cara\u00e7a, n\u00e3o sendo a sua tese aceite pelo Conselho Cient\u00edfico. Pertenceu \u00e0 gera\u00e7\u00e3o do Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13, cap I), integrando tamb\u00e9m o Centro de Estudos Matem\u00e1ticos de Lisboa e a Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica. Pertenceu, como estudante, ao Bloco Acad\u00e9mico Antifascista (BAA) e as suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas democr\u00e1ticas tornam-no um alvo da depura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das universidades ordenada pelo Governo em Junho de 1947.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Aur\u00e9lio Marques da Silva<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1905-1965)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Docente da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa na \u00e1rea da F\u00edsica e investigador disc\u00edpulo de Armando Cyrillo Soares que anima, desde o in\u00edcio dos anos trinta, um movimento de moderniza\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da F\u00edsica em torno do Laborat\u00f3rio de F\u00edsica da Universidade Lisboa e depois do Centro de F\u00edsica criado em 1940 com o apoio do IAC. Esse movimento cruza-se como o Movimento Matem\u00e1tico ( ver nota 13, cap I), designadamente no N\u00facleo de Matem\u00e1tica, F\u00edsica e Quim\u00edca, criado em 1936, estabelecendo um grupo de estreita coopera\u00e7\u00e3o onde se juntam nomes de f\u00edsicos como Aur\u00e9lio Marques da Silva ou Manuel Valadares aos de matem\u00e1ticos como Ruy Lu\u00eds Gomes, Aniceto Monteiro ou Armando Gibert. Aur\u00e9lio Marques da silva especializou-se, ent\u00e3o, no estudo da radioactividade e da espectroscopia dos raios X, iniciando em 1933 um est\u00e1gio em Fran\u00e7a no Laborat\u00f3rio Curie. Sob a supervis\u00e3o de Marie Curie (e, ap\u00f3s a sua morte de Juliot Curie) doutora-se na Sorbonne, em Paris, prosseguindo a\u00ed e no College de France a sua especializa\u00e7\u00e3o, no quadro da qual publica v\u00e1rios trabalhos. Regressa a Portugal em 1938, retomando a sua intensa actividade docente e cient\u00edfica. \u00c9 um dos fundadores, em 1943, da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Portugaliae Physica.<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Tendo apoiado, em 1940, a vinda a Portugal do investigador italiano Benedetti, v\u00edtima de legisla\u00e7\u00e3o anti-semita e tentado que viesse o austr\u00edaco Guido Beck &#8211; ligado ao percurso cient\u00edfico de boa parte desta gera\u00e7\u00e3o de jovens cientistas portugueses &#8211; Aur\u00e9lio M. da Silva torna-se objecto das aten\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia pol\u00edtica, numa altura em que os apoios oficiais aos Centros cient\u00edficos &#8220;suspeitos&#8221; come\u00e7am a fechar-se. Apoiante do Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD) em 1945\/46, o seu nome \u00e9 inclu\u00eddo na lista dos afastados das universidades na purga pol\u00edtica de Junho de 1947, a par de quase todas as figuras de destaque da moderniza\u00e7\u00e3o dos estudos da F\u00edsica e da Matem\u00e1tica. Afastado da doc\u00eancia acad\u00e9mica e da investiga\u00e7\u00e3o, Aur\u00e9lio Marques da Silva acaba por seguir a profiss\u00e3o de engenheiro civil.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Carlos Fernando Torre de Assun\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1901-1987)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Cursou engenharia militar na Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa mas licenciou-se em Ci\u00eancias Hist\u00f3rico &#8211; Naturais em 1922, iniciando a sua carreira docente no ano seguinte e chegando a catedr\u00e1tico em 1942. Desempenhou numerosas fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas nos minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o nacional e das Col\u00f3nias. Liga-se no inicio dos anos quarenta a um partido clandestino rec\u00e9m-aparecido na \u00e1rea socialista, o N\u00facleo de Doutrina\u00e7\u00e3o e Ac\u00e7\u00e3o Socialista. \u00c9 apanhado pela purga pol\u00edtica das universidades ordenada pelo regime em Junho de 1947, mas \u00e9 reintegrado ap\u00f3s interpor recurso da medida. Regressa \u00e0 FCUL e lecciona Geografia na Faculdade de Letras de Lisboa. Com in\u00fameros trabalhos de prest\u00edgio publicados na \u00e1rea das Ci\u00eancias Naturais, preside \u00e0 respectiva Sociedade, sempre com grande reconhecimento dos seus pares.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Fernando da Concei\u00e7\u00e3o Fonseca<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1895-1974)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa onde leccionou nas \u00e1reas de Cl\u00ednica m\u00e9dica e Doen\u00e7as infecto-contagiosas atingindo a posi\u00e7\u00e3o de catedr\u00e1tico. Fez parte do Corpo Expedicion\u00e1rio Portugu\u00eas que combateu na Europa na Grande Guerra, o que lhe permitiu larga experi\u00eancia profissional e contactos internacionais. Disc\u00edpulo de Francisco Pulido Valente, torna-se um dos cl\u00ednicos mais reputados do pa\u00eds pela sua compet\u00eancia e rigor. \u00c0 semelhan\u00e7a do seu mestre, assume uma vis\u00e3o humanista da sociedade e cr\u00edtica ao regime. E tal como ele \u00e9 alvo da purga pol\u00edtica das Universidades ordenada pelo Governo em Junho de 1947. M\u00e9dico dos Hospitais Civis de Lisboa e do Curry Cabral, membro do Instituto Bacteriol\u00f3gico C\u00e2mara Pestana e de v\u00e1rias sociedades m\u00e9dico-cient\u00edficas \u00e9-lhe reconhecida a import\u00e2ncia no melhor conhecimento de doen\u00e7as como a Tifo, a Mal\u00e1ria e o Colesterol.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Fl\u00e1vio Ferreira Pinto Resende<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1907-1967) <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciou-se em Ci\u00eancias Naturais pela Universidade do Porto em 1928. Iniciou a sua carreira de docente do ensino superior em Coimbra, na Faculdade de Ci\u00eancias, na \u00e1rea de Bot\u00e2nica. Aur\u00e9lio Quintanilha, reconhece o seu potencial e recomenda-o para uma bolsa de especializa\u00e7\u00e3o em Citogen\u00e9tica na Alemanha nos Laborat\u00f3rios em Berlim e na Universidade de Hamburgo, onde se doutorou. Depois de regressar a Portugal trabalhou como 1\u00ba assistente de Bot\u00e1nica na Faculdade de Ci\u00eancias do Porto posteriormente, em 1943, leccionou na Faculdade de Ci\u00eancias de Lisboa, ocupando a posi\u00e7\u00e3o de professor catedr\u00e1tico. Exerceu, ainda, as fun\u00e7\u00f5es de Director da Sec\u00e7\u00e3o de Bot\u00e2nica e de Director do Instituto Bot\u00e2nico, do Jardim Bot\u00e2nico, bem como de Director do Instituto de Biologia da Funda\u00e7\u00e3o Gulbenkian, do qual foi fundador. Demitido na purga politica das Universidades em Junho de 1947 \u00e9 readmitido, a 10 de Setembro do mesmo ano, ap\u00f3s provimento ao recurso que interp\u00f4s. Publicou mais de uma centena de artigos e influenciou cientifica e pedagogicamente o estudo da Fisiologia Celular das plantas, afirmando-se como um dos maiores especialista da \u00e1rea nessa \u00e9poca.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Francisco Pulido Valente<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1884-1963)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">M\u00e9dico, professor, cientista, homem de cultura, profundo conhecedor das artes e literatura, cidad\u00e3o interventivo na I Rep\u00fablica e na luta contra a ditadura, Francisco Pulido Valente marcou com o seu decisivo contributo a hist\u00f3ria da medicina cient\u00edfica em Portugal e a da humaniza\u00e7\u00e3o da sua pr\u00e1tica cl\u00ednica. \u00c9 uma das principais figuras, enquanto jovem estudante republicano de medicina, da crise acad\u00e9mica de 1907 e mant\u00e9m activa interven\u00e7\u00e3o na vida da I Rep\u00fablica at\u00e9 ser mobilizado para Fran\u00e7a durante a Grande Guerra. Terminou o curso em 1909 na Escola M\u00e9dico-cir\u00fargica de Lisboa e entrou no corpo docente da Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1912, para leccionar sob a orienta\u00e7\u00e3o de J\u00falio de Matos. De 1914 a 1917 investiga a s\u00edfilis no Laborat\u00f3rio C\u00e2mara Pestana. Regressado da guerra em 1919, retoma a carreira docente investigando e leccionado nas \u00e1reas da Cl\u00ednica M\u00e9dica e da Patologia. Nos anos vinte j\u00e1 s\u00e3o disc\u00edpulos m\u00e9dicos como Casc\u00e3o de Anci\u00e3es ou Fernando da Fonseca, preocupando-se com a sua especializa\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rios e cl\u00ednicas na Alemanha. Como docente e investigador combate nos trabalhos que publica o dogmatismo e defende a transversalidade dos saberes cient\u00edficos; como cidad\u00e3o, apoia com desassombro a resist\u00eancia antifascista e o Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD) fundado em Outubro de 1945. Apesar do seu enorme prest\u00edgio c\u00edvico e profissional o Governo inclui-o na lista dos aposentados compulsivamente na purga pol\u00edtica das Universidades em Junho de 1947. J\u00e1 doente ainda participa na omiss\u00e3o de honra da candidatura do general Humberto Delgado \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 1958. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Hugo Batista Ribeiro<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1910-1988)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciou-se em Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas pela Faculdade de Ci\u00eancias de Lisboa em 1939 e ingressou no seu corpo docente. \u00c9 um dos mais brilhantes matem\u00e1ticos portugueses, tanto como investigador, como enquanto dotado divulgador e pedagogo. Participa activamente, desde estudante, no Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13 cap. I): na Funda\u00e7\u00e3o da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Portugaliae Mathematica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> e da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Gazeta de Matem\u00e1tica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> e nos trabalhos da Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica e dos Centros de Estudos Matem\u00e1ticos de Lisboa e do Porto. Bolseiro do IAC em 1942, estagia na Escola Polit\u00e9cnica Federal de Zurique onde se doutora em 1946. \u00c9 galardoado com o Pr\u00e9mio Artur Malheiros da Academia de Ci\u00eancias. Militante antifascista desde jovem, \u00e9 um activista da Universidade Popular Portuguesa, onde trabalha com Bento Cara\u00e7a, e do Socorro Vermelho Internacional. Regressado a Portugal retoma as suas fun\u00e7\u00f5es docentes no Laborat\u00f3rio de F\u00edsica da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, mas \u00e9 demitido na purga pol\u00edtica das Universidades em Junho de 1947. \u00c9 ent\u00e3o convidado a leccionar nos EUA, passando pelas Universidades da Calif\u00f3rnia, do Nebraska e da Pensilv\u00e2nia e, pontualmente, pela Universidade Federal de Pernambuco, engrossando a\u00ed o n\u00famero de matem\u00e1ticos portugueses exilados. Ap\u00f3s o 25 de Abril de 1974 volta a Portugal para leccionar, juntamente com a sua mulher, Maria Pilar Ribeiro, tamb\u00e9m uma matem\u00e1tica brilhante, na Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Jo\u00e3o C\u00e2ndido da Silva Oliveira <\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">(1906 -1991)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado na Faculdade Medica de Lisboa \u00e9 nomeado, em 1933, Analista Chefe de Laborat\u00f3rio da 1\u00aa Cl\u00ednica M\u00e9dica, Assistente de Bacteriologia e Parasitologia no Instituto C\u00e2mara Pestana em 1936. Entrega a sua tese de Doutoramento e <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">inicia , em 1943, a sua carreira docente como professor extraordin\u00e1rio na FML. No ano seguinte torna-se professor catedr\u00e1tico de Bacteriologia. \u00c9 reformado compulsivamente, na purga das Universidades de Junho de 1947. Volta \u00e0 c\u00e1tedra quando \u00e9 publicado , a 10 de Setembro desse ano, o provimento ao seu recurso ocupando fun\u00e7\u00f5es de docente por mais 32 anos. A par da sua ac\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica dedica-se \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o; desenvolve novos m\u00e9todos ligados \u00e0 an\u00e1lise laboratorial e publica v\u00e1rios trabalhos, quer individuais, quer em co-autoria com alguns dos grandes vultos da ci\u00eancia como o Nobel Egas Moniz. Ocupa partir de 1959 e durante 6 anos, o cargo de Presidente da Sociedade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas de Lisboa e entre 1970 e 1975 \u00e9 Director da Faculdade de Medicina de Lisboa.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Jo\u00e3o Lopes Raimundo <\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">( 1900-1948)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Engenharia Qu\u00edmico-Industrial em 1923 no Instituto Superior T\u00e9cnico da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa. Iniciou a sua carreira docente, nesse mesmo Instituto, como assistente da cadeira de Qu\u00edmica Tecnol\u00f3gica em 1931. A partir de 1936, na qualidade de professor interino, passa a dirigir as disciplinas de \u00edndole tecnol\u00f3gica. Director T\u00e9cnico da Companhia Industrial Portuguesa aliava essa vertente industrial \u00e0s suas aulas, procurando transmitir uma perspectiva pr\u00e1tica e industrial em que as medidas eram preferencialmente racionalizadas em toneladas e n\u00e3o em miligramas. O seu afastamento, ditado pela purga da Universidades em Junho de 1947, aliado a um estado debilitado de sa\u00fade afastam-no da doc\u00eancia. Engenheiro detentor de uma carreira considerada brilhante, foi o respons\u00e1vel pela introdu\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds de novos m\u00e9todos da fabrica\u00e7\u00e3o de vidro. Foi ainda vogal da Junta Consultiva do Instituto Portugu\u00eas de Combust\u00edveis e da Comiss\u00e3o de Explosivos.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Jo\u00e3o Remy Teixeira Freire<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em economia pelo Instituto Superior de Ci\u00eancias Econ\u00f3micas e Financeiras (ISCEF), integra o seu corpo docente e \u00e9 assistente de Bento de Jesus Cara\u00e7a, participando no Centro de Estudos de Matem\u00e1tica Aplicada \u00e0 Economia do ISCEF e sendo um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica. Como estudante, militou no Bloco Acad\u00e9mico Anti-Fascista e nas actividades de resist\u00eancia \u00e0 ditadura nos anos 40. J\u00e1 doutorado pelo ISCEF \u00e9 reformado compulsivamente na purga pol\u00edtica das Universidades ordenada pelo Governo em Junho de 1947. Em 1952 \u00e9 convidado a assumir fun\u00e7\u00f5es docentes na Faculdade de Filosofia da Universidade de Curitiba, Brasil. J\u00e1 no Brasil (naturalizar-se-\u00e1 cidad\u00e3o brasileiro), Remy Freire obter\u00e1 o Doutoramento de Estado em estat\u00edstica pela Sorbonne. Professor carism\u00e1tico, granjeou no Brasil largo c\u00edrculo de amizade, fundando a Sociedade Paranaense. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Jorge Alberto Delgado de Oliveira <\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Matem\u00e1tica e jovem assistente da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto. Ter\u00e1 sido durante um breve per\u00edodo assistente de Ruy Lu\u00eds Gomes. Foi afastado da Faculdade em Junho de 1947, tal como alguns dos seus colegas, por ter subscrito uma carta de protesto contra a pris\u00e3o pela PIDE da aluna Nazar\u00e9 Patac\u00e3o da FCUP. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Jos\u00e9 Cardoso Morgado J\u00fanior<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1921-2003)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Antes de concluir a licenciatura, Jos\u00e9 Morgado j\u00e1 se encontava ligado \u00e0s principais iniciativas do Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13,cap I) : <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Portugaliae Mathematica,<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">; Semin\u00e1rio Matem\u00e1tico de Lisboa; Centro de Estudos de Matem\u00e1ticas Aplicadas \u00e0 Economia; <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Gazeta de Matem\u00e1tica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">; Centro de Estudos Matem\u00e1ticos de Lisboa e do Porto; Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica; Junta de Investiga\u00e7\u00e3o Matem\u00e1tica e Tipografia Matem\u00e1tica de Lisboa. Concluiu a licenciatura em Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas na Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto em 1944. Durante algum tempo foi assistente de Ruy Lu\u00eds Gomes do qual ficaria amigo. Em 1945 foi contratado como assistente do Instituto Superior de Agronomia da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa. Foi demitido, em conjunto com a maioria dos seus companheiros matem\u00e1ticos, na purga das Universidades ordenada pelo Governo em Junho de 1947. Ap\u00f3s o seu afastamento oficial da Universidade dedicou-se durante 13 anos a dar explica\u00e7\u00f5es como forma de subsist\u00eancia e manuten\u00e7\u00e3o da liga\u00e7\u00e3o ao ensino. A sua actividade cultural e politica n\u00e3o esmoreceu com o seu afastamento da doc\u00eancia e a persegui\u00e7\u00e3o por parte do regime foi aumentando, em especial ap\u00f3s a Candidatura de Ruy Lu\u00eds Gomes \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 1951. Em Janeiro de 1952, como membro do Comiss\u00e3o Central do Movimento Nacional Democr\u00e1tico, subscreve o manifesto Pacto de Paz e n\u00e3o Pacto do Atl\u00e2ntico<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>, <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">que originou, mais uma vez, a sua deten\u00e7\u00e3o assim como do seu mentor e companheiro de luta Ruy Lu\u00eds Gomes. Os anos entre 1947 e a sua sa\u00edda do Pa\u00eds foram marcados por v\u00e1rias pris\u00f5es e agress\u00f5es por parte da pol\u00edcia pol\u00edtica. For\u00e7ado ao ex\u00edlio pela ac\u00e7\u00e3o repressiva do regime, encontrou no Brasil, perto de matem\u00e1ticos portugueses, um porto de abrigo e um local primordial para prosseguir a sua vida acad\u00e9mica . <\/span><\/span>\u00a0<span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Em Janeiro de 1960 foi contratado como professor de Matem\u00e1tica da Universidade Federal de Pernambuco. Em 1967, conjuntamente com <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Ruy<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Lu\u00eds Gomes, iniciou os cursos de Mestrado em Matem\u00e1tica no Instituto de Matem\u00e1tica da Universidade. Ao longo da sua perman\u00eancia no Recife o seu trabalho cientifico promoveu um not\u00e1vel crescimento da matem\u00e1tica nesse pais. Mesmo no ex\u00edlio, e tal como Ruy Lu\u00eds Gomes, Jos\u00e9 Morgado nunca esqueceu a necessidade de continuar lutar por um mudan\u00e7a politica e social no Pa\u00eds, sentindo que a guerra colonial seria uma pe\u00e7a fulcral para a queda do regime. Com o 25 de Abril regressa a Portugal e em Outubro \u00e9 reintegrado no lugar de assistente no Instituto Superior de Agronomia da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa. No m\u00eas seguinte \u00e9 nomeado professor catedr\u00e1tico do Departamento de Matem\u00e1tica Pura da Faculdade de Ci\u00eancias e Vice Reitor da Universidade Porto. Ocupa a direc\u00e7\u00e3o da Reitoria entre finais de 1974 e Novembro de 1976, sucedendo a Ruy Lu\u00eds Gomes. Jubilado em Fevereiro de 1991 continua a leccionar no Departamento de Matem\u00e1tica Pura at\u00e9 Julho de 1998. Enquanto estudioso debateu-se pelo progresso cientifico e cultural e enquanto cidad\u00e3o debateu-se sempre pela liberdade convicto da simbiose entre ambas. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Jos\u00e9 Henrique Casc\u00e3o de Anci\u00e3es<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1897 &#8211; sem data confirmada sobre o \u00f3bito)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Aluno na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e disc\u00edpulo de Francisco Pulido Valente, dedicou a essa faculdade toda a sua carreira de docente. Professor extraordin\u00e1rio das \u00e1reas de Patologia, de Terap\u00eautica, e de Cl\u00ednica M\u00e9dica ,foi mentor de v\u00e1rios alunos destacando-se os nomes de J\u00falio Correia Madeira e Jo\u00e3o Sim\u00f5es Raposo. Pertenceu ao Instituto de Patologia Geral e Anatomia Patol\u00f3gica e ao Instituto de Fisiologia, ambos da Faculdade de Medicina e foi dirigente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. A purga politica das Universidades de Junho de 1947 afastou-o do ensino na Faculdade. A sua carreira m\u00e9dica e docente, pautou-se por uma profunda compet\u00eancia e rigor aliados a uma constante tentativa de agu\u00e7ar o esp\u00edrito das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Laureano Barros<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1921-2008)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Matem\u00e1tica pela Faculdade de Ci\u00eancias do Porto com elevadas classifica\u00e7\u00f5es, integrou a doc\u00eancia a convite de Ruy Lu\u00eds Gomes a quem o passar\u00e3o a ligar estreitos la\u00e7os de amizade, coopera\u00e7\u00e3o cientifica e solidariedade pol\u00edtica. Sendo assistente, em 1947 \u00e9 demitido, juntamente com Ruy Lu\u00eds Gomes e outros colegas, por ter subscrito uma carta de protesto contra a pris\u00e3o pela PIDE da aluna Nazar\u00e9 Patac\u00e3o da FCUP. Interrompida a carreira e abandonado o projecto de doutoramento, \u00e9 tamb\u00e9m impedido de leccionar no ensino t\u00e9cnico e secund\u00e1rio. Recorre ent\u00e3o a uma sala de explica\u00e7\u00f5es particulares para alunos no ensino superior que mant\u00e9m at\u00e9 1974\/75. Depois do 25 de Abril de 1974 \u00e9 reintegrado no ensino, optando pelo ensino secund\u00e1rio. \u00c9 colocado no liceu Alexandre Herculano no Porto.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Lu\u00eds Hern\u00e2ni Dias Amado<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1901-1982)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa em 1924, entra na carreira docente desenvolvendo larga actividade de ensino e investiga\u00e7\u00e3o, designadamente no campo da Histologia, mat\u00e9ria que continua a leccionar ap\u00f3s o doutoramento. Democrata e resistente antifascista pertenceu ao Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF) e ao Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD), sendo aposentado compulsivamente na purga pol\u00edtica das Universidades ordenado pelo Governo em Junho de 1947. Manteve todavia o seu laborat\u00f3rio particular e o estudo e publica\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter cient\u00edfico. Apoiante da candidatura do general Humberto Delgado \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1958, subscritor do Programa para a Democratiza\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1961, preso pela PIDE, em 1963, sob a acusa\u00e7\u00e3o de pertencer \u00e0s Juntas de Ac\u00e7\u00e3o Patri\u00f3tica, foi um dos fundadores da Ac\u00e7\u00e3o Socialista Portuguesa. Reintegrado simbolicamente como professor catedr\u00e1tico convidado ap\u00f3s o 25 de Abril de 1974. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Manuel Jos\u00e9 Nogueira Valadares<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1904-1982)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Uma das mais prestigiosas figuras da ci\u00eancia portuguesa do s\u00e9culo XX, Manuel Valadares licenciou-se em F\u00edsica pela Faculdade de Ci\u00eancias de Lisboa, iniciando de seguida, em 1927, a sua carreira docente. Bolseiro da Junta de Educa\u00e7\u00e3o Nacional, estagia em 1929 e 1930 no Instituto de R\u00e1dio de Genebra e aprofunda depois a sua especializa\u00e7\u00e3o no Laborat\u00f3rio de Marie Curie que supervisionou o seu doutoramento (depois de morrer o seu marido Juliot Curie substitui-a nessa fun\u00e7\u00e3o) obtido na Sorbonne em 1933. Regressado a Portugal, aprofunda as suas investiga\u00e7\u00f5es no campo da F\u00edsica Nuclear e da Espectrometria dos raios-x no Laborat\u00f3rio de F\u00edsica da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, em conjunto com Aur\u00e9lio Marques da Silva. Foi um dos fundadores da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Portugaliae Physica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> e nela e na <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Gazeta de Fisica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, entre outras, publicou v\u00e1rios dos seus trabalhos. Era assistente da FCUL, quando foi demitido compulsivamente das suas fun\u00e7\u00f5es pela purga pol\u00edtica das Universidades ordenada pelo Governo em Junho de 1947. Detentor de um reconhecido m\u00e9rito internacional como cientista \u00e9 convidado a trabalhar no Laborat\u00f3rio Curie, em Paris, progredindo rapidamente na sua carreira sem, no entanto, se desligar nem do panorama cient\u00edfico portugu\u00eas, nem da luta pol\u00edtica antifascista. Ap\u00f3s o 25 deAbril de 1974 foi-lhe atribu\u00eddo o doutoramento <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Honoris Causa<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> pela Universidade de Lisboa, em 1981. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Manuel Augusto Zaluar Nunes<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1907-1967)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em ci\u00eancias matem\u00e1ticas pela Faculdade de Ci\u00eancias de Lisboa em 1928, foi uma das mais destacadas figuras do Movimento Matem\u00e1tico (ler nota 13, cap I) dos anos 30 e 40, participando nesse movimento de renova\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o dos estudos matem\u00e1ticos como co-fundador da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Portugaliae Mathematica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">,<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">redactor principal<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em> da <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Gazeta Matem\u00e1tica<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>, <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Presidente da Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica e conferencista dos semin\u00e1rios dos seus centros de estudos. Durante esse per\u00edodo desenvolveu intensa actividade de investiga\u00e7\u00e3o em centros especializados em Fran\u00e7a como bolseiro do IAC e do Governo franc\u00eas. Fez a sua carreira acad\u00e9mica na Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, no ISCEF da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa e no Instituto Superior de Agronomia da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa onde foi contratado como professor catedr\u00e1tico. A purga pol\u00edtica ordenada pelo Governo em Junho de 1947 isonerou-o compulsivamente desta posi\u00e7\u00e3o. For\u00e7ado a abandonar o pa\u00eds, junta-se a outros companheiros expulsos, em 1953, na Universidade do Recife, a convite do seu Reitor, onde ir\u00e1 criar um Mestrado de Matem\u00e1tica e o Instituto de F\u00edsica e Matem\u00e1tica na Universidade que o acolheu. Morre prematuramente aos 60 anos, em Lisboa, v\u00edtima de doen\u00e7a prolongada.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>M\u00e1rio Augusto da Silva<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1901-1977) <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Durante a licenciatura em F\u00edsica, fundou a Sociedade Acad\u00e9mica de Estudos dos Alunos da Faculdade de Ci\u00eancias de Coimbra que desenvolvia simultaneamente o interc\u00e2mbio de ideias e a entreajuda estudantil. Em 1924 contratado como 1\u00ba assistente e recebe uma bolsa para estagiar no estrangeiro, optando por Paris, onde conhece Afonso Costa que lhe fornece uma carta de recomenda\u00e7\u00e3o. Em Fran\u00e7a doutorou-se sob a orienta\u00e7\u00e3o de Marie Curie e foi um dos assistentes do seu laborat\u00f3rio. Regressado a Portugal, onde foi negada a continua\u00e7\u00e3o do seu trabalho no estrangeiro, retomou as suas fun\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas. Obteve a equival\u00eancia do seu doutoramento, defendido na Sorbonne, podendo desta forma entrar no concurso de Professor Catedr\u00e1tico em 1931 do qual foi o \u00fanico concorrente. O seu regresso a Coimbra pareceu-lhe menos desmotivante gra\u00e7as \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de criar um Instituto do R\u00e1dio. No entanto as dificuldades legais e financeiras criadas pelo regime faziam com que os esfor\u00e7os de M\u00e1rio Silva e \u00c1lvaro de Matos, que surge como outro grande impulsionador do Instituto, fossem em v\u00e3o. Como cidad\u00e3o politicamente interventivo, integrou o Comit\u00e9 Nacional e a Comiss\u00e3o Executiva do MUNAF; foi vice-presidente da Comiss\u00e3o Distrital de Coimbra do MUD e integrou a Ac\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Social. Foi preso pela PIDE em Agosto de 1946, foram seus companheiros de pris\u00e3o, entre outros, Ruy Lu\u00eds Gomes, Cal Brand\u00e3o, Azeredo Antas e Domingos Pereira. Seria libertado por falta de provas no entanto menos de um ano depois, na purga das Universidades em Junho de 1947, foi aposentado compulsivamente. Nesse mesmo ano ficou sujeito a 2 semanas de pris\u00e3o domicili\u00e1ria. Alvo de uma persegui\u00e7\u00e3o constante por parte do regime foi for\u00e7ado a recorrer a explica\u00e7\u00f5es e \u00e0 venda de espumante das Caves de Vice -rei de Anadia para puder sustentar a sua fam\u00edlia. Em Dezembro de 1947 passa a trabalhar como conselheiro cient\u00edfico na Philips mantendo essa profiss\u00e3o at\u00e9 \u00e0 sua reforma em 1966. Em 1971 \u00e9 nomeado Presidente da Comiss\u00e3o do Planeamento do Museu Nacional da Ci\u00eancia e de T\u00e9cnica, sendo este Museu um sonho de M\u00e1rio da Silva desde os anos 30. Depois de muitos contratempos e faltas de fundos, o Museu Nacional da Ci\u00eancia e da T\u00e9cnica foi finalmente inaugurado em 1976 do qual foi nomeado director. Ap\u00f3s o 25 de Abril de 1974, e chegada a liberdade que tanto ansiava, foi reintegrado como Professor catedr\u00e1tico na Faculdade de Ci\u00eancias na Universidade de Coimbra em Fevereiro de 1976. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Orlando Morbey Maria Rodrigues <\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">(1920-1988)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Ci\u00eancias Econ\u00f3micas e Financeiras em 1942 come\u00e7ou de imediato a exerceu as fun\u00e7\u00f5es de assistente de Matem\u00e1ticas Superiores sob a orienta\u00e7\u00e3o de Bento Jesus Cara\u00e7a e de Mira Fernandes. Em in\u00edcios de 1947 passa a ser respons\u00e1vel pela reg\u00eancia do curso te\u00f3rico. Desde o tempo de estudante esteve ligado \u00e0s incitativas do Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13, Cap. I). Colaborou com o<br \/>\nCentro de Estudos de Matem\u00e1tica Aplicada \u00e0 Economia; os centros de Estudos Matem\u00e1ticos de Lisboa e do Porto; foi membro da Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica e publicou artigos em v\u00e1rias revistas destacando-se o seu empenho na <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Gazeta de Matem\u00e1tica.<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Em Abril de 1947, candidatou-se a provas de doutoramento no entanto o Conselho Escolar do ISCEF nunca formalizou qualquer decis\u00e3o sobre a realiza\u00e7\u00e3o das provas que deveriam ter sido realizada precisamente quando foi demitido. Afastado das suas fun\u00e7\u00f5es docentes pela purga das Universidades em Junho de 1947 e for\u00e7ado a encontrar outros meios de subsist\u00eancia obt\u00eam um emprego na Philips Portuguesa e pouco tempo depois \u00e9 nomeado adjunto do director comercial. As suas capacidades foram rapidamente reconhecidas e ocupou a partir de 1951 v\u00e1rios cargos ligados \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da empresa, em Portugal e no estrangeiro. Durante o ano de 1974 aposta na dinamiza\u00e7\u00e3o do Projecto da Escola Prim\u00e1ria &#8220;Sylvia Philips&#8221; que beneficiaria os filhos dos trabalhadores da empresa, na \u00e1rea de Carnaxide. Teve especial empenho neste projecto devido a sua vis\u00e3o pedag\u00f3gica e de desenvolvimento industrial competitivo mas socialmente justo. Em 1977, como consequ\u00eancia de processo de reintegra\u00e7\u00e3o, tomou posse do cargo de professor auxiliar no Instituto Superior de Economia passando algum tempo depois a professor catedr\u00e1tico. O seu m\u00e9rito como economista e como pedagogo \u00e9 amplamente reconhecido pelos seus pares.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Ruy Lu\u00eds Gomes<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1905-1984)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Um dos maiores vultos das ci\u00eancias exactas em Portugal, matem\u00e1tico e f\u00edsico-matem\u00e1tico de craveira internacional, grande dinamizador e renovador dos estudos cient\u00edficos nestas \u00e1reas de que foi pioneiro juntamente com Aniceto Monteiro e Bento de Jesus Cara\u00e7a, figuras centrais do Movimento Matem\u00e1tico (ver nota 13, cap. I) entre meados dos anos 30 e 1947. Licenciou-se em Matem\u00e1tica, em 1928, na Universidade de Coimbra sendo contratado como assistente pela Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto no ano seguinte, leccionando a cadeira de F\u00edsico-Matem\u00e1tica a partir de 1931, aproximando-se ent\u00e3o da resist\u00eancia estudantil \u00e0 Ditadura Militar. Torna-se catedr\u00e1tico aos 28 anos e, em breve, director do Gabinete de Astronomia da FCUP, mandando instalar um observat\u00f3rio astron\u00f3mico escolar no Monte da Virgem. Em 1940 juntamente com a nova gera\u00e7\u00e3o de matem\u00e1ticos, funda a Sociedade Portuguesa de Matem\u00e1tica, o Centro de Estudos Matem\u00e1ticos do Porto, anexo \u00e0 FCUP, e em 1943 a Junta de Investiga\u00e7\u00e3o Matem\u00e1tica. Figura destacada da resist\u00eancia ao regime foi eleito da Comiss\u00e3o Distrital do Porto do Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD) em 1945. Em 1947 foi alvo de um processo disciplinar por subscrever um protesto contra a pris\u00e3o pela PIDE da estudante da FCUP Nazar\u00e9 Patac\u00e3o e demitido das suas fun\u00e7\u00f5es docentes. Apoiante da candidatura do general Norton de Matos \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 1949, \u00e9 um dos fundadores e presidente do Movimento Nacional Democr\u00e1tico (MND), duramente perseguido pela PIDE durante os curtos anos da sua exist\u00eancia na primeira metade dos anos 50. Em 1951, ap\u00f3s a morte de Carmona, apresenta-se como candidato \u00e0s elei\u00e7\u00f5es para Presidente da Rep\u00fablica, mas \u00e9 declarado ineleg\u00edvel pelo Conselho de Estado. Entre 1945 e 1957, Ruy Lu\u00eds Gomes \u00e9 preso mais de 10 vezes pela pol\u00edcia pol\u00edtica, agredido, julgado e condenado em Tribunal Plen\u00e1rio, expulso da Universidade e, em 1958, for\u00e7ado a exilar-se na Argentina onde, a convite do seu amigo Ant\u00f3nio Aniceto Monteiro, vai leccionar no Instituto de Matem\u00e1tica da Universidade Nacional del Sur na Bahia Blanca, onde desenvolve uma brilhante actividade cient\u00edfica. Em 1962, muda-se para o Brasil, para a Universidade Federal de Pernambuco, onde j\u00e1 leccionavam os seus companheiros de sempre Zaluar Nunes e Jos\u00e9 Morgado. Desenvolve intensa actividade cient\u00edfica e docente com duradoura repercuss\u00e3o no Brasil. No seu ex\u00edlio Sul-Americano Ruy Lu\u00eds Gomes permaneceu activo na luta contra o regime e contra a guerra colonial. Em 1972 e 1973 tentou vir a Portugal para visitar o seu companheiro Lob\u00e3o Vital, gravemente doente, e para presidir ao Congresso da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica de Aveiro. Nas duas ocasi\u00f5es foi proibido de entrar. Ap\u00f3s o 25 de Abril de 1974 \u00e9 recebido apoteoticamente pela popula\u00e7\u00e3o do Porto quando a 4 de Maio regressa do ex\u00edlio. \u00c9 reintegrado na Universidade do Porto e nomeado seu Reitor, retomando as suas fun\u00e7\u00f5es docentes na Faculdade de Ci\u00eancias. Jubilado em 1975, \u00e9 nomeado Reitor honor\u00e1rio da Universidade do Porto. Aceita o cargo de Membro do Conselho de Estado e \u00e9 designado Presidente da Comiss\u00e3o Instaladora do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas Abel Salazar em 1975. Foi um dos fundadores da Universidade Popular do Porto em 1979. Galardoado com a Ordem da Liberdade em 1981. Faleceu aos 78 anos v\u00edtima de enfarte do mioc\u00e1rdio, a 27 de Outubro de 1984.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><strong>1962<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Vitorino Magalh\u00e3es Godinho<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1918-2011)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Pioneiro das Ci\u00eancias Sociais em Portugal, foi um dos mais importantes vultos da historiografia portuguesa do s\u00e9culo XX para cuja moderniza\u00e7\u00e3o contribuiu decisivamente. Produziu uma vasta obra de refer\u00eancia influenciada pela Escola dos Analles, francesa, e que abrange, entre v\u00e1rios outros temas e \u00e9pocas, a Hist\u00f3ria dos Descobrimentos cuja abordagem, contra corrente do discurso oficioso nacional-passadista, ele renovaria substancialmente. Licenciou-se em Ci\u00eancias Hist\u00f3rico- Filos\u00f3ficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1940, onde ocuparia o lugar de professor extraordin\u00e1rio at\u00e9 1944, ano em que rescindiu o seu contrato fixando-se em Paris. Foi investigador do Centre National de Recherche Scientifique entre 1947 e 1960 e obteve o grau de Doutor \u00e9s-lettre pela Sorbonne no ano de 1959. Regressado ao pa\u00eds, foi nomeado professor catedr\u00e1tico do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (1960) mas foi afastado pelo regime na sequ\u00eancia da crise acad\u00e9mica de 1962. Regressa a Fran\u00e7a, \u00e0 \u00c9cole Pratique de Hautes \u00c9tudes onde defende, em 1966, a sua tese de Doutoramento de Estado sobre a economia do imp\u00e9rio portugu\u00eas nos s\u00e9culos XV e XVI. Em 25 de Abril de 1974 leccionava na Facult\u00e9 des Lettres et Sciences Humaines da Universidade de Clermont-Ferrand, que lhe havia concedido doutoramento <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Honoris Causa<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">. Regressou definitivamente a Portugal, onde foi nomeado Ministro da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do II Governo Provis\u00f3rio ainda em 1974. Ser\u00e1 um dos fundadores da Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na qualidade de professor catedr\u00e1tico, procurando levar \u00e0 pr\u00e1tica o projecto que sempre defendera de interdisciplinaridade entre a Hist\u00f3ria, a Sociologia, a Economia, Antropologia e a Filosofia. Em 1984 desempenhou o cargo de Director da Biblioteca Nacional. Proferiu in\u00fameras palestras e confer\u00eancias e palestras em diversos pa\u00edses, publicou v\u00e1rias dezenas de artigos e livros; recebeu pr\u00e9mios de v\u00e1rias academias, dirigiu v\u00e1rias colec\u00e7\u00f5es nas Edi\u00e7\u00f5es Cosmos; fundou a <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Revista de Hist\u00f3ria Econ\u00f3mica<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, colaborou em diversos jornais e manteve sempre a sede de conhecimento e um esp\u00edrito cr\u00edtico de not\u00e1vel lucidez vis\u00edvel num dos seus \u00faltimos livros: <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>Os problemas de Portugal, os problemas da Europa <\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">editado em 2010. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: large;\">1969<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Joaquim Ferreira Gomes<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1928- 2002)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><br \/>\nAp\u00f3s completar o Curso Teol\u00f3gico no Semin\u00e1rio de Coimbra, em 1951, seguiu para <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Roma\">Roma<\/a>, tendo-se licenciado ,em 1953, em Filosofia na <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Universidade_Gregoriana\">Universidade Gregoriana<\/a>. Quando regressou a Portugal, ingressou na <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Universidade_de_Coimbra\">Universidade de Coimbra<\/a>, tendo-se licenciado em Ci\u00eancias Hist\u00f3rico-Filos\u00f3ficas na <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Faculdade_de_Letras_da_Universidade_de_Coimbra\">Faculdade de Letras<\/a><\/span><\/span>.<span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> Apresentou a sua tese de Doutoramento em 1965, em Filosofia. Defendia ideias demasiado progressistas o que lhe causou dissabores. A sua vis\u00e3o da espiritualidade baseava-se uma &#8220;desclericaliza\u00e7\u00e3o&#8221; do sacerd\u00f3cio, em que os sacerdotes se envolveriam mais nas quest\u00f5es sociais n\u00e3o como pastores mas como membros de um todo, e afirmava, inclusivamente, que o celibato, ainda que detentor de grande virtude, n\u00e3o deveria ser obrigat\u00f3rio. A publica\u00e7\u00e3o do op\u00fasculo de interven\u00e7\u00e3o <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><em>O Padre num mundo em transforma\u00e7\u00e3o<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, em liga\u00e7\u00e3o com o pedido de realiza\u00e7\u00e3o de provas de concurso para professor agregado da Faculdade de Letras de Coimbra, que legalmente deveria ser precedida por averigua\u00e7\u00f5es policias, deu origem ,atrav\u00e9s do despacho de 3 de Julho de 1969 da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia do Conselho, ao seu afastamento do ensino. Mesmo antes da publica\u00e7\u00e3o da obra que desencadeou o processo, o seu nome j\u00e1 tinha sido referenciado pela PIDE. De facto as informa\u00e7\u00f5es da policia pol\u00edtica relacionavam-no com o protesto face \u00e0 demiss\u00e3o do Padre Jos\u00e9 de Oliveira Branco, de assistente espiritual do Centro Acad\u00e9mico de Democracia Crist\u00e3 (C.A.D.C.), devido \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de um artigo. Essa defesa do padre demission\u00e1rio foi encarada como esquerdista. Ferreira Gomes interp\u00f4s um recurso, obtendo o apoio de algumas personalidades cat\u00f3licas, ao qual o Conselho de Ministros deu provimento a 30 de Setembro de 1969. Reintegrado na Faculdade fez as suas Provas de Agrega\u00e7\u00e3o em 1970, e o concurso para Professor Catedr\u00e1tico da Sec\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Pedag\u00f3gicas da FLUC em Mar\u00e7o de 1974.Dedicado investigador e docente desenvolveu um papel essencial na cria\u00e7\u00e3o dos Cursos Superiores de Psicologia, em 1977. O ocupou cargos cimeiros na direc\u00e7\u00e3o da Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o e gra\u00e7as a sua ac\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e extensa produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica \u00e9 reconhecido pelos seus pares como um dos grandes impulsionadores das Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o em Portugal. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: large;\">1973<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Francisco Pereira de Moura<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> (1925-1998)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman', serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Licenciado em Finan\u00e7as e Economia pelo ISCEF em 1950, iniciou ent\u00e3o uma brilhante carreira como economista, pedagogo e cidad\u00e3o politicamente interveniente. Doutorou-se com 19 valores em 1961 e foi nomeado catedr\u00e1tico em 1972. Ocupar\u00e1 todos os postos cimeiros da direc\u00e7\u00e3o da sua escola de sempre e desenvolver\u00e1, nacional e internacionalmente, uma vasta obra de teoriza\u00e7\u00e3o, debate e divulga\u00e7\u00e3o dos estudos econ\u00f3micos, ainda hoje de incontorn\u00e1vel refer\u00eancia. Pedagogo brilhante, marcou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de estudantes que passaram pelas suas aulas. No in\u00edcio da sua carreira, nos anos 50, integra (com Jacinto Nunes e Teixeira Pinto) o n\u00facleo duro de uma nova gera\u00e7\u00e3o de economistas que introduz o estudo das modernas teorias econ\u00f3micas nas universidades portuguesas e das novas metodologias de an\u00e1lise que delas decorriam. Foi o secret\u00e1rio-geral do II Congresso da Ind\u00fastria Portuguesa em 1957, onde teve um papel central, e nesse ano aceita ser Procuradora \u00e0 C\u00e2mara Corporativa, sendo relator de relevantes pareceres sobre a ades\u00e3o \u00e0 EFTA (1960). Militante cat\u00f3lico, nos anos 60 aproxima-se dos sectores cat\u00f3licos mais cr\u00edticos do regime e da sua crescente interven\u00e7\u00e3o na ac\u00e7\u00e3o oposicionista, tomando corajosa posi\u00e7\u00e3o ao lado dos estudantes nas suas lutas (designadamente na ocupa\u00e7\u00e3o do ISCEF em 1969). Apoia as organiza\u00e7\u00f5es de solidariedade com os presos pol\u00edticos, integra a Comiss\u00e3o Democr\u00e1tica Eleitoral de Lisboa e, em 1972, participa na vig\u00edlia da capela do Rato pela paz e contra \u00e0 guerra colonial. Preso pela pol\u00edcia de choque que invade a capela, ser\u00e1 exonerado compulsivamente de funcion\u00e1rio p\u00fablico e professor em Janeiro de 1973. Figura de relevo no MDP\/CDE, o 25 de Abril de 1974 projecta-o numa intensa actividade pol\u00edtica entre Maio desse ano e Setembro de 1975. Ser\u00e1 membro do I, IV e V Governos Provis\u00f3rios. Reintegrado como catedr\u00e1tico e de regresso, em 1975, ao agora Instituto Superior de Economia (ISE), inicia uma nova etapa da sua carreira docente, estreitamente associada \u00e0s importantes reformas pedag\u00f3gicas, curriculares e de organiza\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o que conhece a escola. Em 1995 Jubila-se como professor catedr\u00e1tico recebendo a expressiva homenagem dos estudantes, dos seus pares e dos seus ex-alunos.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Brochura que faz parte da homenagem aos professores universit\u00e1rios demitidos pelo Estado Novo E que tem o t\u00edtulo: A DEPURA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA DO CORPO DOCENTE DAS UNIVERSIDADES PORTUGUESAS DURANTE O ESTADO NOVO (1933-1974) Capitulo III Notas Biogr\u00e1ficas dos Investigadores e &hellip; <a href=\"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2011\/11\/25\/notas-biograficas-dos-investigadores-e-docentes-alvo-de-depuracao-politica-das-universidades-portuguesas-pelo-estado-novo\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,32,34],"tags":[],"class_list":["post-1134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actividades","category-nam","category-primeira-pagina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/ptMuS-ii","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1134"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1134\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1140,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1134\/revisions\/1140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}