{"id":1168,"date":"2012-01-11T20:30:47","date_gmt":"2012-01-11T20:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/?p=1168"},"modified":"2012-01-11T20:54:16","modified_gmt":"2012-01-11T20:54:16","slug":"beja-1962-evocacao-de-uma-efemeride","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2012\/01\/11\/beja-1962-evocacao-de-uma-efemeride\/","title":{"rendered":"BEJA 1962 &#8211; Evoca\u00e7\u00e3o de uma Efem\u00e9ride"},"content":{"rendered":"<p align=\"JUSTIFY\">\u00a0Os subscritores, participantes sobrevivos da Revolta Armada de Beja &#8211; cujo quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio ocorre no pr\u00f3ximo 1\u00ba Janeiro \u2013 pretendem, atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica desta evoca\u00e7\u00e3o, contribuir para resgatar a \u201cmem\u00f3ria apagada\u201d dessa efem\u00e9ride, remetida como est\u00e1 para o limbo dos acontecimentos avulsos, insignificativos; situa\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, em conson\u00e2ncia com muitas outras relativas \u00e0 mem\u00f3ria da resist\u00eancia antifascista; e em contraste flagrante com o desvelo comemorativo dedicado ao chamado Estado Novo, seus personagens e afins.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na realidade, o combate e a resist\u00eancia contra a ditadura e o fascismo em Portugal, constitu\u00edram um processo hist\u00f3rico cont\u00ednuo ao longo de metade do s\u00e9c. XX. Nesse processo insere-se a Revolta de Beja&#8230;porque aconteceu e ficou selada em sangue e morte. A sua import\u00e2ncia e significado s\u00e3o-lhe conferidos pelo fluxo hist\u00f3rico no seu todo. N\u00e3o foi um epis\u00f3dio isolado, fora do contexto da luta comum do povo portugu\u00eas pela liberta\u00e7\u00e3o de um regime ditatorial.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><!--more-->Com efeito, no caso da Revolta de Beja, \u00e9 f\u00e1cil estabelecer a sua liga\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com o grandioso movimento de massas\/levantamento popular provocado pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 1958; vindo a ser, exactamente, o general Humberto Delgado o impulsionador da Revolta de Beja e, como tal, figurando em 1\u00ba lugar na lista dos 87 incriminados pronunciados para julgamento no Tribunal Plen\u00e1rio Fascista.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na sequ\u00eancia imediata da Revolta de Beja, eclodiu em Mar\u00e7o desse mesmo ano de 1962, a revolta estudantil de maiores propor\u00e7\u00f5es contra o regime; o 1\u00bade Maio desse ano foi assinalado pelos trabalhadores e outros sectores da popula\u00e7\u00e3o com a maior for\u00e7a e amplitude de sempre. E o processo hist\u00f3rico continuou, j\u00e1 com a guerra colonial, por mais 12 anos, at\u00e9 1974.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tem sido pr\u00e1tica corrente, ap\u00f3s o derrubamento do fascismo at\u00e9 aos dias de hoje, minimizar a import\u00e2ncia e o significado da Revolta de Beja. Obras antigas e recentes, de pretensa inten\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico\/cronol\u00f3gica, nem sequer anotam o acontecido. Mas bastaria ter consultado a imprensa da \u00e9poca para ver em grandes parangonas a dimens\u00e3o do impacto e do sobressalto que provocou no Pa\u00eds e al\u00e9m-fronteiras. O ditador t\u00e3o emocionado ficou (citando) \u201ccom os acontecimentos das \u00faltimas semanas\u201d que perdeu a voz e algu\u00e9m teve de ler-lhe o discurso na sess\u00e3o da Assembleia Nacional de 3 Janeiro; e cancelada teve de ser a costumada manifesta\u00e7\u00e3o de desagravo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mas n\u00e3o ser\u00e3o certamente, a contrafac\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ou a posi\u00e7\u00e3o negacionista, at\u00e9 hoje dominante, que conseguir\u00e1 alterar o significado patri\u00f3tico\/c\u00edvico\/\u00e9tico da Ac\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria de Beja; que conseguir\u00e3o apagar no registo da hist\u00f3ria o facto de \u201cter acontecido\u201d; que abalar\u00e3o as convic\u00e7\u00f5es e o orgulho, mantido sempre enquanto houve\/houver alento pelos revoltosos de Beja, por terem dado corpo e presen\u00e7a e n\u00e3o terem recuado na hora de confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A 50 anos de dist\u00e2ncia temporal, neste ensejo evocativo os abaixo-assinados sentem-se felizes por poderem afirmar que a Revolta Armada de Beja insere-se, com honra, no processo hist\u00f3rico de luta e resist\u00eancia do Povo Portugu\u00eas contra a ditadura e o fascismo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Simultaneamente, manifestam \u00f3bvia solidariedade, respeito e admira\u00e7\u00e3o, para com todas as outras \u201cmem\u00f3rias apagadas\u201d, por id\u00eanticos e obscuros prop\u00f3sitos de desvaloriza\u00e7\u00e3o do historial da resist\u00eancia antifascista portuguesa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Resta portanto, aos resistentes sobreviventes da Revolta de Beja sa\u00edrem em defesa da causa pela qual empenharam as suas vidas, que continua a ser a Causa da Liberdade pela Justi\u00e7a Social, a qual, neste s\u00e9culo XXI, corresponde a ser a Causa contra o retrocesso civilizacional, contra o neoliberalismo que retira todos os recursos da economia real para entreg\u00e1-los ao capital financeiro, avassalando o mundo e amea\u00e7ando o destino das gera\u00e7\u00f5es vindouras.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Assim foi aqui feito,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Evocando o Cinquenten\u00e1rio da Revolta Armada de Beja.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em Lisboa, na \u00faltima semana do ano 2011<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">ass)<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em>Airolde Casal Sim\u00f5es<br \/>\n<\/em><em>Alexandre Hip\u00f3lito dos Santos<br \/>\n<\/em><em>Alfredo da Concei\u00e7\u00e3o Guaparr\u00e3o Santos<br \/>\n<\/em><em>Ant\u00f3nio da Gra\u00e7a Miranda<br \/>\n<\/em><em>Ant\u00f3nio Pombo Miguel<br \/>\n<\/em><em>Ant\u00f3nio Ricardo Barbado<br \/>\n<\/em><em>Ant\u00f3nio Vieira Franco<br \/>\n<\/em><em>Artur dos Santos Tavares<br \/>\n<\/em><em>Delmar Silva<br \/>\n<\/em><em>Edmundo Pedro<br \/>\n<\/em><em>Eug\u00e9nio Filipe de Oliveira<br \/>\n<\/em><em>Fernando R\u00f4xo da Gama<br \/>\n<\/em><em>Francisco Brissos de Carvalho<br \/>\n<\/em><em>Francisco Leonel Rodrigues Francisco Lobo<br \/>\n<\/em><em>Jo\u00e3o Varela Gomes<br \/>\n<\/em><em>Jos\u00e9 Duarte Galo<br \/>\n<\/em><em>Jos\u00e9 Hip\u00f3lito dos Santos<br \/>\n<\/em><em>Manuel da Costa<br \/>\n<\/em><em>Manuel Joaquim Peralta Ba\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/em><em>Raul Zagalo<br \/>\n<\/em><em>Venceslau Lu\u00eds Lopes de Almeida<br \/>\n<\/em><em>Victor Manuel Quint\u00e3o Caldeira<br \/>\n<\/em><em>Victor Zacarias da Piedade de Sousa<\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Os subscritores, participantes sobrevivos da Revolta Armada de Beja &#8211; 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