{"id":153,"date":"2007-01-03T21:02:54","date_gmt":"2007-01-03T20:02:54","guid":{"rendered":"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/2007\/01\/03\/a-sala-do-tribunal-plenario-em-lisboa-irene-pimentel\/"},"modified":"2007-03-14T13:09:00","modified_gmt":"2007-03-14T12:09:00","slug":"a-sala-do-tribunal-plenario-em-lisboa-irene-pimentel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2007\/01\/03\/a-sala-do-tribunal-plenario-em-lisboa-irene-pimentel\/","title":{"rendered":"A sala do tribunal plen\u00e1rio, em Lisboa &#8211; Irene Pimentel"},"content":{"rendered":"<p><em>Irene Pimentel descreve nesta breve exposi\u00e7\u00e3o a instru\u00e7\u00e3o do \u201cprocesso\u201d nos \u201ctribunais plen\u00e1rios\u201d. Recordamos que tal como o anterior, estes textos recordam a hist\u00f3ria da resist\u00eancia ao fascismo portugu\u00eas e assinalam a cerim\u00f3nia do descerramento da l\u00e1pide, no passado dia 6, na antec\u00e2mara da sala do Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa. A\u00ed decorriam as sess\u00f5es desta \u201cjusti\u00e7a pidesca\u201d, praticada por \u201cju\u00edzes\u201d submetidos ao Estado Novo.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-content\/uploads\/2006\/12\/20061206boahora3.jpg\" title=\"foto da cerim\u00f3nia do Tribunal Plen\u00e1rio\"><img decoding=\"async\" id=\"image135\" src=\"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-content\/uploads\/2006\/12\/20061206boahora3w.jpg\" alt=\"foto da cerim\u00f3nia do Tribunal Plen\u00e1rio (web)\" \/><\/a><br \/><small>No passado 6 de Dezembro o Movimento resgatou esta sala da sua mem\u00f3ria fascista<\/small><\/div>\n<p>Aqui, nesta sala, decorreram, entre 1945 e 1974, as sess\u00f5es do Tribunal Plen\u00e1rio, onde foram julgados in\u00fameros advers\u00e1rios e presos pol\u00edticos da ditadura, acusados de \u00abcrimes\u00bb contra a seguran\u00e7a do Estado. Criados pelo diploma n.\u00ba 35 044, de 20 de Outubro de 1945, os tribunais plen\u00e1rios n\u00e3o actuavam com independ\u00eancia e, salvo excep\u00e7\u00f5es, limitaram-se a corroborar os autos de instru\u00e7\u00e3o da PIDE\/DGS. Nos julgamentos pol\u00edticos dos tribunais plen\u00e1rios, os ju\u00edzes eram nomeados segundo crit\u00e9rios de estrita confian\u00e7a pol\u00edtica do regime.<\/p>\n<p>Cobriam as ilegalidades e viol\u00eancias cometidas pela PIDE\/DGS, na instru\u00e7\u00e3o dos processos, aceitavam como prova os autos de declara\u00e7\u00f5es preparados, por essa pol\u00edcia, com recurso \u00e0 tortura e intimida\u00e7\u00e3o. Nos julgamentos realizados nos tribunais plen\u00e1rios, entre 1945 e 1974, era a PIDE\/DGS que determinava a acusa\u00e7\u00e3o \u2013 e at\u00e9 a defesa \u2013 e muitos ac\u00f3rd\u00e3os judiciais reflectiram ipsis verbis os relat\u00f3rios dos processos-crime, instru\u00eddos por esta pol\u00edcia. Ou seja, antes de o Tribunal julgar, a PIDE\/DGS j\u00e1 tinha determinado a senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesta sala, entre 1945 e 1974, as testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o eram elementos da pr\u00f3pria PIDE\/DGS, que confirmavam as acusa\u00e7\u00f5es e \u201ctestemunhavam\u201d que os autos tinham decorrido, sem qualquer press\u00e3o ou coac\u00e7\u00e3o. Muitos ju\u00edzes impediram os arguidos de explicarem como tinham sido extorquidas confiss\u00f5es e as torturas de que tinham sido alvo, e consentiram, sem reac\u00e7\u00e3o, agress\u00f5es a presos pol\u00edticos e seus advogados de Defesa, pela PIDE\/DGS. Muitos destes advogados passaram, em plena audi\u00eancia, de defensores a r\u00e9us detidos.<\/p>\n<p>Devido a den\u00fancias dos m\u00e9todos da PIDE\/DGS e de defesa das suas opini\u00f5es, muitos presos pol\u00edticos ouviram as suas senten\u00e7as, no calabou\u00e7o do tribunal da Boa Hora, para onde tinham sido enviados, por ordem do juiz, empurrados por agentes da pol\u00edcia, que, por vezes, os espancaram em plena sess\u00e3o. Nesta sala, al\u00e9m de condenarem os advers\u00e1rios e presos pol\u00edticos a pesadas penas, os ju\u00edzes do Tribunal Plen\u00e1rio, sujeitavam-nos ainda a medidas de seguran\u00e7a, que prolongavam indefinidamente o tempo de pris\u00e3o.<br \/>\nEm 14 de Maio de 1974, a lei Constitucional n.\u00ba3\/74 extinguiu os tribunais plen\u00e1rios, iniciando-se, em Portugal o per\u00edodo democr\u00e1tico. Os tribunais deixaram de julgar os \u201ccrimes\u201d contra a seguran\u00e7a do Estado e passaram a ser um \u00f3rg\u00e3o de soberania independente.<\/p>\n<p>Irene Flunser Pimentel<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irene Pimentel descreve nesta breve exposi\u00e7\u00e3o a instru\u00e7\u00e3o do \u201cprocesso\u201d nos \u201ctribunais plen\u00e1rios\u201d. Recordamos que tal como o anterior, estes textos recordam a hist\u00f3ria da resist\u00eancia ao fascismo portugu\u00eas e assinalam a cerim\u00f3nia do descerramento da l\u00e1pide, no passado dia &hellip; <a href=\"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2007\/01\/03\/a-sala-do-tribunal-plenario-em-lisboa-irene-pimentel\/\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2,21,7,24],"tags":[],"class_list":["post-153","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actividades","category-boa-hora","category-documentos","category-encontros"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/ptMuS-2t","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}