{"id":243,"date":"2007-11-03T13:12:27","date_gmt":"2007-11-03T12:12:27","guid":{"rendered":"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/2007\/11\/03\/comunicado-de-imprensa-%e2%80%93-2-novembro-2007\/"},"modified":"2007-11-03T16:20:59","modified_gmt":"2007-11-03T15:20:59","slug":"comunicado-de-imprensa-%e2%80%93-2-novembro-2007","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2007\/11\/03\/comunicado-de-imprensa-%e2%80%93-2-novembro-2007\/","title":{"rendered":"Comunicado de Imprensa \u2013 2 Novembro 2007"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li><a href=\"#espanhaeportugal\">Espanha e Portugal \u2013 o mesmo dever da mem\u00f3ria<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#espacodememoria\">Espa\u00e7o de mem\u00f3ria na sede da ex-PIDE\/DGS (Rua Ant\u00f3nio Maria Cardoso)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#aljube\">A pris\u00e3o do Aljube \u2013 Museu da Liberdade e Resist\u00eancia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#tarrafal\">Tarrafal \u2013 col\u00f3quio internacional em 2009<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#cafeceuta\">Caf\u00e9 Ceuta<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a title=\"espanhaeportugal\" name=\"espanhaeportugal\"><\/a><strong>Espanha e Portugal \u2013 o mesmo dever da mem\u00f3ria<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAs Cortes espanholas aprovaram no passado 31 de Outubro a Lei da Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica que reabilita as v\u00edtimas da ditadura franquista.<\/p>\n<p>A Assembleia da Rep\u00fablica tem para vota\u00e7\u00e3o, desde 30 de Mar\u00e7o deste ano, uma Resolu\u00e7\u00e3o que nessa sexta-feira foi discutida em plen\u00e1rio sem oposi\u00e7\u00e3o de nenhum grupo parlamentar. Esta Resolu\u00e7\u00e3o, cujo parecer coube ao deputado Marques J\u00fanior, foi suscitada por uma Peti\u00e7\u00e3o apresentada pelo <em>Movimento C\u00edvico N\u00e3o Apaguem a Mem\u00f3ria!<\/em> (<em>NAM!<\/em>). Se querermos insistir em desnecess\u00e1rias compara\u00e7\u00f5es, julgamos que \u00e9 tempo do Estado portugu\u00eas, representado na Assembleia da Rep\u00fablica tomar uma posi\u00e7\u00e3o de reconhecimento p\u00fablico e hist\u00f3rico sobre a resist\u00eancia \u00e0 ditadura do Estado Novo.<\/p>\n<p><a title=\"espacodememoria\" name=\"espacodememoria\"><\/a><strong>Espa\u00e7o de mem\u00f3ria na sede da ex-PIDE\/DGS (Rua Ant\u00f3nio Maria Cardoso)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/20071030_cml.jpg\" title=\"fotografia da reuni\u00e3o do NAM na CML em 30 de Outubro de 2007\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/20071030_cmlw.jpg\" title=\"fotografia da reuni\u00e3o do NAM na CML em 30 de Outubro de 2007\" alt=\"fotografia da reuni\u00e3o do NAM na CML em 30 de Outubro de 2007\" align=\"right\" height=\"198\" hspace=\"4\" vspace=\"4\" width=\"263\" \/><\/a>O <em>NAM!<\/em> criou-se a partir de uma manifesta\u00e7\u00e3o de protesto pela destrui\u00e7\u00e3o da antiga sede da pol\u00edcia pol\u00edtica salazarista, sem que naquele edif\u00edcio da \u201cAnt\u00f3nia Maria Cardoso\u201d, em Lisboa ficasse qualquer mem\u00f3ria do que ele significou de abnega\u00e7\u00e3o e de sacrif\u00edcio por parte dos milhares de cidad\u00e3os que ali foram interrogados, torturados pelos esbirros do fascismo portugu\u00eas, designados por \u201cpides\u201d ou \u201cbufos\u201d, at\u00e9 \u00e0 morte, em alguns casos.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed foi poss\u00edvel criar uma base de trabalho com a C\u00e2mara Municipal de Lisboa e com o promotor imobili\u00e1rio do novo edif\u00edcio, no sentido de preservar, num espa\u00e7o apropriado, a luta pela democracia, que aquele lugar tamb\u00e9m personifica. As conversa\u00e7\u00f5es principiaram em 10 de Abril de 2006, tiveram algum desenvolvimento e permitiram delimitar o espa\u00e7o destinado ao memorial, mas foram interrompidas pelas recentes elei\u00e7\u00f5es intercalares para o executivo camar\u00e1rio.<\/p>\n<p>O <em>NAM!<\/em> entendeu que passados quatro meses sobre a elei\u00e7\u00e3o do novo executivo (1\/8\/07) era tempo de reatar as conversa\u00e7\u00f5es e solicitou uma audi\u00eancia ao novo presidente do munic\u00edpio, Ant\u00f3nio Costa.<\/p>\n<p>O pedido foi prontamente anu\u00eddo e na passada ter\u00e7a-feira, 30 de Outubro, uma delega\u00e7\u00e3o do foi recebida pelo Dr. Ant\u00f3nio Costa. A audi\u00eancia prolongou-se por mais de uma hora e permitiu repor na agenda que o <em>NAM!<\/em> tem com a CML a necessidade de preservar a mem\u00f3ria da resist\u00eancia na Rua Ant\u00f3nio Maria Cardoso e, tamb\u00e9m, de noutros locais e de outros modos que nos assegure que as novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o esquecer\u00e3o o que foi a luta pela democracia em Portugal.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Costa afirmou o seu empenho e o do seu executivo em colaborar nos fins do <em>NAM!<\/em> e referiu, em resposta \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o que lhe fora feita por Fernando Vicente,  coordenador do Grupo de Trabalho da \u201cAnt\u00f3nio Maria Cardoso\u201d, ser l\u00f3gico que a CML assumisse a propriedade do espa\u00e7o no im\u00f3vel destinado ao memorial como um seu cond\u00f3mino. Considerou, em princ\u00edpio, que o desenho museol\u00f3gico desse memorial poderia vir a ser feito pelo <em>NAM!<\/em>, se assim o entend\u00eassemos. Assumiu o compromisso de vir e a estudar com a restante verea\u00e7\u00e3o e respectivos servi\u00e7os a melhor forma de poder ajudar na concretiza\u00e7\u00e3o do projecto. Assegurou que a CML iria em breve indicar ao <em>NAM!<\/em> um interlocutor para este assunto.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o permitiu abordar outros aspectos da afirma\u00e7\u00e3o do dever da mem\u00f3ria no munic\u00edpio de Lisboa, pondo Raimundo Narciso, que fazia parte da delega\u00e7\u00e3o, a t\u00f3nica na organiza\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica dos \u201croteiros\u201d que permitam a realiza\u00e7\u00e3o de passeios hist\u00f3ricos nos lugares da cidade onde a defesa da democracia implicou a pris\u00e3o, o espancamento e a morte. Em complemento a esta proposta frisou a necessidade deste conhecimento do passado fazer parte dos curricula escolares, designadamente das escolas que est\u00e3o a cargos da CML. P\u00f4s ainda na agenda a possibilidade de o <em>NAM!<\/em> vir a usufruir de uma sede num dos edif\u00edcios que a CML lhe possa disponibilizar.<\/p>\n<p>Esta foi uma proposta que Ant\u00f3nio Costa considerou merecer reflex\u00e3o, bem como a que fizera o terceiro elemento da delega\u00e7\u00e3o, Duran Clemente, quando deu conta da possibilidade dos lugares da resist\u00eancia ficarem assinalados com l\u00e1pides, como a colocada no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, por iniciativa do <em>NAM!<\/em>, a 6 de Dezembro de 2006, recordando que ali funcionaram os \u201cTribunais Plen\u00e1rios\u201d, um arremedo de justi\u00e7a, na realidade extens\u00e3o do bra\u00e7os repressivo da PIDE\/DGS.<\/p>\n<p><a title=\"aljube\" name=\"aljube\"><\/a><strong>A pris\u00e3o do Aljube \u2013 Museu da Liberdade e Resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O <em>NAM!<\/em> recorda que no passado 19 de Outubro teve uma outra audi\u00eancia com o ministro da Justi\u00e7a, Alberto Costa, a terceira com esta titular, que teve por objecto a convers\u00e3o do edif\u00edcio da antiga pris\u00e3o do Aljube, em Lisboa, num Museu da Liberdade e Resist\u00eancia ou num p\u00f3lo destacado de uma rede de Museus nacionais sobre este tema.<\/p>\n<p>A conversa decorreu de modo francamente coloquial, com o Dr. Alberto Costa a referir o seu empenho de cidad\u00e3o na concretiza\u00e7\u00e3o desse objectivo, mas recordando que a propriedade do im\u00f3vel era do Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as, que podia ter outros des\u00edgnios para aquele espa\u00e7o. Acrescentou, no entanto, que enquanto ele estivesse afecto ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e ele fosse o seu titular tinha uma total disponibilidade para encontrar com o <em>NAM!<\/em> um lugar condigno para a instala\u00e7\u00e3o desse museu, que ele tamb\u00e9m considerava necess\u00e1rio no Portugal democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>No decorrer da conversa foram avaliadas as possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o do antigo Aljube num espa\u00e7o museol\u00f3gico, tendo o ministro avan\u00e7ado com duas hip\u00f3teses a considerar:<\/p>\n<p>1. Atrav\u00e9s da constitui\u00e7\u00e3o de uma funda\u00e7\u00e3o tendo o <em>NAM!<\/em> como refer\u00eancia estatut\u00e1ria, com o objectivo espec\u00edfico de criar e gerir o futuro museu. Nesse caso o papel do Estado seria unicamente o de ceder o espa\u00e7o para o efeito;<\/p>\n<p>2. Ou assumir esse papel de instala\u00e7\u00e3o do museu atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Cultura. Considerou, nesse caso, que o <em>NAM!<\/em> deveria projectar-se como um assessor privilegiado de consulta e aconselhamento na realiza\u00e7\u00e3o do projecto.<\/p>\n<p>No decurso da audi\u00eancia foi levantada a possibilidade de ali vir a instalar-se a sede do <em>NAM!<\/em> , proposta que o ministro considerou de ponderar, para ela muito contribuindo a decis\u00e3o governamental de transformar ou n\u00e3o o Aljube num p\u00f3lo museol\u00f3gico \u201cResist\u00eancia e Liberdade\u201d.<\/p>\n<p><a title=\"tarrafal\" name=\"tarrafal\"><\/a><strong>Tarrafal \u2013 col\u00f3quio internacional em 2009<\/strong><\/p>\n<p>Passou no passado 29 de Outubro mais um anivers\u00e1rio sobre a instala\u00e7\u00e3o em cabo Verde do \u201ccampo da morte lenta\u201d do Tarrafal, um campo de concentra\u00e7\u00e3o criado em 1936 pelo Estado Novo, para a\u00ed poder isolar at\u00e9 ao fim os seus opositores mais determinados.<\/p>\n<p>Vale a pena referir que a efem\u00e9ride foi assinalada pela RTP2, com um document\u00e1rio de qualidade, assinado por Fernanda Para\u00edso e produzido pela Take 2000. Atrav\u00e9s dele pudemos seguir os percursos e motiva\u00e7\u00f5es de cinco antigos \u201ctarrafalistas\u201d: S\u00e9rgio Vilarigues, Josu\u00e9 Rom\u00e3o (entretanto falecidos) e de Jos\u00e9 Barata e Edmundo Pedro.<\/p>\n<p>O <em>NAM! <\/em>, atrav\u00e9s do Edmundo Pedro, seu membro desde a primeira hora, est\u00e1 a participar na organiza\u00e7\u00e3o de um col\u00f3quio internacional, a realizar no 1 de Maio de 2009, dia em que em no ano de 1974 uma manifesta\u00e7\u00e3o popular fechou o pres\u00eddio do Tarrafal e de l\u00e1 libertou os derradeiros presos dos movimentos independentistas africanos, l\u00e1 detidos desde 1961.<\/p>\n<p>Este col\u00f3quio est\u00e1 a ser concebido com o apoio do Presidente da Rep\u00fablica de Cabo Verde, Pedro Pires, e do Minist\u00e9rio da Cultura de Portugal. Tem como seus principais impulsionadores Edmundo Pedro e Pedro Martins, arquitecto cabo-verdiano a residir em Nova Iorque, ambos antigos presos do Tarrafal.<\/p>\n<p><a title=\"cafeceuta\" name=\"cafeceuta\"><\/a><strong>Caf\u00e9 Ceuta<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/20071027_porto_cartazceuta.jpg\" title=\"cartaz da iniciativa \u201cEncontros em Lugares de Mem\u00f3ria da Resist\u00eancia\u201d o Caf\u00e9 Ceuta no Porto em 27 de Outubro de 2007\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/20071027_porto_cartazceuta.thumbnail.jpg\" title=\"cartaz da iniciativa \u201cEncontros em Lugares de Mem\u00f3ria da Resist\u00eancia\u201d o Caf\u00e9 Ceuta no Porto em 27 de Outubro de 2007\" alt=\"cartaz da iniciativa \u201cEncontros em Lugares de Mem\u00f3ria da Resist\u00eancia\u201d o Caf\u00e9 Ceuta no Porto em 27 de Outubro de 2007\" align=\"right\" hspace=\"4\" vspace=\"4\" \/><\/a>O n\u00facleo do Porto do <em>NAM!<\/em> est\u00e1 realizar um ciclo de Encontros em Lugares de Mem\u00f3ria da Resist\u00eancia, esperando que as hist\u00f3rias contadas pelos protagonistas das ac\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia antifascista venham enriquecer a nossa mem\u00f3ria colectiva do fascismo.<\/p>\n<p>A mais recente decorreu no passado 27 de Outubro, no caf\u00e9 Ceuta.<\/p>\n<p>O jornalista Victor Melo fez uma cr\u00f3nica sobre este encontro para o <em>Primeiro de Janeiro<\/em>, que, com muito agrado, nos permitimos reproduzir:<\/p>\n<blockquote><p><em>Hist\u00f3rias de resist\u00eancia de quem sofreu \u00e0s m\u00e3os do antigo regime<\/em><br \/>\n<strong>\u201cSem mem\u00f3ria n\u00e3o h\u00e1 futuro\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Sexta-feira, 24 de Mar\u00e7o de 1967. Um tiro cruza a estrada e rebenta um dos pneus do velho Mini Morris, arrastando o ve\u00edculo e os seus quatro ocupantes por uma ribanceira de 30 metros. Ap\u00f3s uma queda revoltosa, imobiliza-se, capotado e em chamas. Dois dos ocupantes conseguem sair e retirar um outro por uma das ex\u00edguas janelas do j\u00e1 por si ex\u00edguo autom\u00f3vel. O quarto ocupante, preso por um dos bancos, morreu queimado. Jos\u00e9 Nozes Pires <strike>Jorge Pires<\/strike> recupera os sentidos deitado no alcatr\u00e3o, com a vis\u00e3o de centenas de jornais a esvoa\u00e7ar pela estrada. E foi precisamente com esses pap\u00e9is e palavras proibidas a pairar \u00e0 sua volta que seria algemado por dois agentes da PIDE, moribundo, ainda a ouvir os gritos de agonia do seu amigo a ser devorado pelas labaredas.<\/p>\n<p>Com 21 anos, estudante do segundo ano da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e acabado de aderir ao partido comunista, tinha arrancado do Porto com destino a Lisboa. O carro foi interceptado na estrada nacional em Arrifana, perto de Santa Maria da Feira. Na bagageira seguia uma mala com centenas de jornais do Avante. \u201cNa altura eram jornais clandestinos, proibidos. Bastava ser apanhado com um na m\u00e3o para ser interrogado ou at\u00e9 preso\u201d. As publica\u00e7\u00f5es eram impressas em tipografias sombrias, clandestinas, secretas. \u201cQuando impressos no norte, eram distribu\u00eddos no sul ou vice-versa\u201d.<\/p>\n<p>O jovem estudante permaneceu hospitalizado durante quatro meses, sob ordem de pris\u00e3o. \u201cEra surreal, eu cheio de gesso dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a, a ser interrogado na enfermaria pelos agentes da PIDE, munidos de m\u00e1quinas de escrever e \u00e1vidos por respostas\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Em fins de Novembro \u00e9 enclausurado nos calabou\u00e7os da PIDE no Porto. Ali permanece, sem direito a visitas, tratamento hospitalar, ler ou escrever. Isolado do mundo sem nada mais do que a companhia omnipresente da luz acesa. Todos os dias descia da \u201ctarimba\u201d e caminhava, passos sem fim num espa\u00e7o de tr\u00eas metros por dois. \u201cPercorria aquilo de tr\u00e1s para a frente\u201d, contando as vezes que fazia essa \u201cviagem\u201d. \u201cEra a \u00fanica forma de combater o stress\u201d.<\/p>\n<p>Recorda vividamente a espinha de bacalhau que lhe foi servida na cela na v\u00e9spera de Natal, o balde dos dejectos, \u201cas frias paredes de pedra, de branco sujo, com uma janela min\u00fascula, gradeada, quase junto ao tecto\u201d. Longe da vista, mas perto dos ouvidos. \u201cEra angustiante. Ouvia o ru\u00eddo dos carros, as pessoas a passarem na rua. Que dor era sentir o quotidiano das pessoas, indiferentes \u00e0 minha presen\u00e7a naquela cela, \u00e0 injusti\u00e7a do meu cativeiro\u201d.<\/p>\n<p>A reminisc\u00eancia \u00e9 de  Jos\u00e9 Augusto Nozes Pires (<strike>Jorge Pires<\/strike>), 62 anos, professor de Filosofia e Psicologia e membro da Assembleia Municipal de Torres Vedras. As suas palavras s\u00e3o ouvidas no Caf\u00e9 Ceuta, \u201clocal de in\u00fameras conversas secretas at\u00e9 \u00e0s tantas da manh\u00e3, sempre na mira dos bufos fascistas\u201d, no \u00e2mbito da iniciativa \u00abEncontros em lugares de Mem\u00f3ria da Resist\u00eancia\u00bb, protagonizada pelo n\u00facleo do Porto do movimento \u00abN\u00e3o Apaguem a Mem\u00f3ria!\u00bb. Trata-se de um movimento c\u00edvico que visa a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria hist\u00f3rica das lutas de resist\u00eancia \u00e0 ditadura, promovendo encontros em lugares emblem\u00e1ticos dessa resist\u00eancia.<\/p><\/blockquote>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espanha e Portugal \u2013 o mesmo dever da mem\u00f3ria Espa\u00e7o de mem\u00f3ria na sede da ex-PIDE\/DGS (Rua Ant\u00f3nio Maria Cardoso) A pris\u00e3o do Aljube \u2013 Museu da Liberdade e Resist\u00eancia Tarrafal \u2013 col\u00f3quio internacional em 2009 Caf\u00e9 Ceuta<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[23,8,5,7,4,18],"tags":[],"class_list":["post-243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-assuntos-internos","category-comunicados","category-destacado","category-documentos","category-porto","category-porto-2"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/ptMuS-3V","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}