{"id":26,"date":"2006-07-17T22:55:58","date_gmt":"2006-07-17T21:55:58","guid":{"rendered":"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/2006\/07\/18\/por-um-museu-da-resistencia-o-primeiro-de-janeiro-20060717\/"},"modified":"2006-07-20T10:56:05","modified_gmt":"2006-07-20T09:56:05","slug":"por-um-museu-da-resistencia-o-primeiro-de-janeiro-20060717","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2006\/07\/17\/por-um-museu-da-resistencia-o-primeiro-de-janeiro-20060717\/","title":{"rendered":"Por um Museu da Resist\u00eancia (O Primeiro de Janeiro, 2006\/07\/17)"},"content":{"rendered":"<p>Retirei da Internet, do site do jornal &#8220;O Primeiro de Janeiro&#8221; de 17\/07\/2006, o artigo abaixo.<\/p>\n<p>Por um &#8220;Museu da Resist\u00eancia&#8221;<\/p>\n<p><strong>O movimento &#8220;N\u00e3o apaguem a mem\u00f3ria!&#8221; organizou uma visita ao Museu Militar, antiga sede da PIDE do Porto, e que gostariam viesse a ser o Museu da Resist\u00eancia. Ex-presos pol\u00edticos e director do museu da Rua do Hero\u00edsmo foram os c\u00edcerones.<\/strong><br \/>\nFilinto Melo<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Quem desce as escadas do Museu Militar apercebe-se de iluminuras de outros tempos, outras guerras e outros combates. N\u00e3o sabendo, est\u00e1 a descer as mesmas escadas que, antes do 25 de Abril, eram percorridas por pessoas que acabavam de sair de sess\u00f5es de tortura tamb\u00e9m lembram outros tempos, quase medievais, por recusarem outras guerras, as das antigas col\u00f3nias, e por estarem num combate, contra o regime.<\/p>\n<p>O encenador Jo\u00e3o Luiz n\u00e3o se lembra de descer as escadas. &#8220;N\u00e3o tenho nenhuma mem\u00f3ria da sa\u00edda da sala de tortura [no \u00faltimo andar do edif\u00edcio oitocentista da Rua do Hero\u00edsmo] nem das escadas. Tenho mem\u00f3ria da subida, isso sim&#8221;. O director da companhia P\u00e9 de Vento foi um dos ex-presos pol\u00edticos participantes, s\u00e1bado, na visita de estudo promovida pelo movimento &#8220;N\u00e3o apaguem a mem\u00f3ria!&#8221; ao actual Museu Militar do Porto, antiga sede da PIDE na cidade.<\/p>\n<p>Ao longo de mais de duas horas e meia, foram percorridos os recantos do edif\u00edcio e os seus anexos. &#8220;Ali eram as camaratas&#8221;, &#8220;aqui era onde fotografavam os que chegavam&#8221;, &#8220;olha o gabinete do m\u00e9dico, que n\u00e3o era m\u00e9dico na era nada&#8221;, &#8220;subir estas escadas era terr\u00edvel&#8221;, &#8220;&#8230; as salas de tortura&#8221; \u2013 frases que ajudavam a relembrar hist\u00f3rias e situa\u00e7\u00f5es, actos e figuras que fazem parte da hist\u00f3ria ainda viva daquele edif\u00edcio, adquirido para o Estado em 1948 para vir a ser a sede da PVDE, depois PIDE. Um palacete que o movimento gostaria de ver como Museu da Resist\u00eancia, para lembrar o que fazia o regime ditatorial deposto a 25 de Abril de 1974.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Jo\u00e3o Luiz outros resistentes, ex-presos pol\u00edticos, desvelaram mem\u00f3rias. Jorge Ara\u00fajo, um dos que conseguiu fugir da PIDE do Porto (ver outra p\u00e1gina), explicou que uma das piores pr\u00e1ticas era o chamado carrossel. Consistia em ter um grupo de torturadores a rodear o preso, numa das salas de tortura, e espanc\u00e1-lo alternadamente, sem o deixar cair. Tamb\u00e9m em ficar de p\u00e9 consistia outra das torturas mais utilizadas, a da est\u00e1tua, que visava derrotar os detidos por cansa\u00e7o, obrigando-os a ficar em p\u00e9 dias inteiros. Muitas vezes a est\u00e1tua era acompanhada da tortura do sono, ou seja, n\u00e3o se permitia que o preso adormecesse. &#8220;Havia tamb\u00e9m a R\u00e9gua&#8230; acompanhada da tortura do sono ou da est\u00e1tua, consistia em descer com a r\u00e9gua [de madeira] sobre o nariz do preso quando ele, cansado, ca\u00eda para a frente&#8221;, contou Jorge Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Depois das sess\u00f5es de tortura dava-se o regresso \u00e0 cave, para as celas individuais ou em camaratas. &#8220;Sempre acompanhado pelos guardas, para que os presos atordoados pela tortura n\u00e3o ca\u00edssem para o fosso ou se tentassem suicidar&#8221;, referiu Jorge Batista, outro dos ex-presos pol\u00edticos presente. <\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>A saber<\/p>\n<p>As fugas desesperadas<\/p>\n<p>Os ex-presos percebem as tentativas de suic\u00eddio, porque quando se sa\u00eda da sess\u00e3o de tortura, havia a ansiedade da &#8220;pr\u00f3xima vez&#8221;. Houve tamb\u00e9m casos de &#8220;presos que partiam pernas nas camaratas&#8221; para ir ao hospital e evitar a sess\u00e3o seguinte.<\/p>\n<p>&#8220;Pisco&#8221;, o \u00faltimo a sair<\/p>\n<p>Jorge Carvalho, nome de guerra &#8220;Pisco&#8221;, foi o \u00faltimo preso pol\u00edtico a deixar a cadeia. Conforme contou ao JANEIRO, al\u00e9m do processo pol\u00edtico tinha contra si um processo-crime pois tinha agredido &#8220;uns pides&#8221;. Pisco, que ainda guarda uma s\u00e9rie de documentos que ajudariam a criar o Museu da Resist\u00eancia, agrediu tamb\u00e9m o &#8220;m\u00e9dico&#8221;, que depois recusou consultar. <\/p>\n<p>As camaratas da PVDE<\/p>\n<p>A &#8220;pevide&#8221; como era tratada pela oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica durante os primeiros anos do regime, ainda est\u00e1 presente hoje no Museu Militar. Pelo menos a sua sigla. No armaz\u00e9m dos fundos, onde eram na altura da PIDE as camaratas dos presos, ainda \u00e9 poss\u00edvel ver perfeitamente &#8221; P.V.D.E.&#8221; \u2014 Pol\u00edcia de Vigil\u00e2ncia e de Defesa do Estado. Nessas camaratas, contou ao JANEIRO Jorge &#8220;Pisco&#8221;, a vida era um pouco diferente das celas individuais. Percebia-se a diferen\u00e7a de classes, e os &#8220;oper\u00e1rios sem apoio eram os que mais levavam&#8221;, contou Rui Batista. Mas nessas camaratas onde estariam os menos perigosos, a luta e a passagem do tempo fazia-se de pequenos pormenores, como por exemplo a m\u00fasica. Conta &#8220;Pisco&#8221;: &#8220;Come\u00e7\u00e1vamos com can\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o, emocionavamo-nos e fortaleciamo-nos e quando chegava a guarda trocava-mos logo [risos]. [e cantavam]&#8217;Ponha aqui o seu pezinho'&#8221;. Apesar de a pris\u00e3o da PIDE ser mista, h\u00e1 poucas mem\u00f3rias de mulheres ali detidas. Mas um dos nomes mais her\u00f3icos, sempre citado, \u00e9 o de Virg\u00ednia Moura.<\/p>\n<p>Relatos de ex-presos inclu\u00edram a experi\u00eancia de Jorge Ara\u00fajo e Silva Marques<\/p>\n<p>A arte e o engenho da fuga<\/p>\n<p>O editor Jorge Ara\u00fajo esteve, no total, onze anos preso. No Porto, conseguiu fugir das instala\u00e7\u00f5es da PIDE, gra\u00e7as a um andaime, a um guarda &#8220;boa pessoa&#8221;, a um corte num dedo e numa fuga pelo cemit\u00e9rio. A hist\u00f3ria foi relembrada.<\/p>\n<p>Filinto Melo<\/p>\n<p>A data de 6 de Agosto de 1962 \u00e9 uma das datas mais gratas das mem\u00f3rias de c\u00e1rcere de onze anos do editor Jorge Ara\u00fajo: foi nesse dia que conseguiu iludir o guarda e fugir da PIDE. No s\u00e1bado, contou a sua experi\u00eancia durante a visita que o movimento &#8220;N\u00e3o deixem morrer a mem\u00f3ria&#8221; organizou no Museu Militar, antiga pris\u00e3o da pol\u00edcia pol\u00edtica do regime ditatorial no Porto.<\/p>\n<p>Jorge Ara\u00fajo foi detido a 28 de Abril de 1962, em Santo Tirso. Foi levado para a pris\u00e3o da PIDE no Porto. Na Rua do Hero\u00edsmo, foi torturado e espancado durante um m\u00eas. Depois das sess\u00f5es de tortura que decorriam onde hoje \u00e9 o corpo principal do edif\u00edcio, era devolvido \u00e0 sua cela individual (estava em regime de incomunicabilidade), num espa\u00e7o, entretanto demolido, entre as duas partes do Museu Militar e junto \u00e0 parede vizinha do Cemit\u00e9rio do Prado Repouso. Segundo conta num trabalho publicado no seman\u00e1rio Avante!, e reiterado na sess\u00e3o de s\u00e1bado, passou o tempo a tentar descortinar uma hip\u00f3tese de fuga.<\/p>\n<p>As celas dos presos que estavam em regime de incomunicabilidade dividiam-se por dois andares, pelo comprido, estando a casa de banho no fundo do segundo andar e a mesa do guarda no extremo oposto do outro andar. No r\u00e9s-do-ch\u00e3o ficavam tr\u00eas celas, logo seguidas da escada, em frente \u00e0 porta de sa\u00edda. Na parte de cima eram as mesmas tr\u00eas celas, as escadas e a casa de banho, que era sempre utilizada \u00e0 noite, antes do recolher, o que foi outra condicionante importante.<\/p>\n<p>Duas das condi\u00e7\u00f5es essenciais para a fuga prendiam-se com o pr\u00f3prio funcionamento da pris\u00e3o da PIDE. Uma delas, estranha, era que as celas s\u00f3 eram trancadas durante a noite. De dia, antes do recolher, estavam sem o trinco e fechadas apenas com o ferrolho (que obviamente n\u00e3o permitia abri-las por dentro). A outra condi\u00e7\u00e3o era humana, mais concretamente um guarda, que al\u00e9m de ser &#8220;boa pessoa&#8221; e at\u00e9 &#8220;simp\u00e1tico&#8221; com os presos, era tamb\u00e9m muito lento.<\/p>\n<p>Chegou-se \u00e0 solu\u00e7\u00e3o: um preso do andar inferior pedia para ir \u00e0 casa de banho e como descia as escadas muito mais r\u00e1pido do que o guarda, aquele especificamente, de nome Pinto, abria o ferrolho da cela ao lado; entretanto, os detidos no andar de cima pediam tamb\u00e9m para ir \u00e0 casa de banho e retiam o m\u00e1ximo poss\u00edvel o guarda no processo.<\/p>\n<p>Tudo estava em ordem com a excep\u00e7\u00e3o da sa\u00edda da cadeia. As celas davam para um espa\u00e7o ajardinado junto ao muro que dividia o espa\u00e7o do cemit\u00e9rio, mas o muro era demasiado alto.<\/p>\n<p>O passeio<\/p>\n<p>Depois de um m\u00eas de tortura, e j\u00e1 preparada parte da fuga, Jorge Ara\u00fajo \u00e9 deslocado para a cadeia de Pa\u00e7os de Ferreira, como brincou no s\u00e1bado &#8220;para melhorar a imagem&#8221;.<\/p>\n<p>Essencialmente, contou a O PRIMEIRO DE JANEIRO, estas transfer\u00eancias estavam relacionadas com as ac\u00e7\u00f5es que a PIDE levava a cabo. Como chegavam novos contingentes de presos, &#8220;aut\u00eanticas vagas de presos&#8221;, alguns teriam de ser transferidos. Estas transfer\u00eancias eram tamb\u00e9m utilizadas como forma de melhorar o aspecto f\u00edsico dos detidos ap\u00f3s terem sido sujeitos \u00e0 tortura, sobretudo por causa dos familiares e das visitas dos advogados.<\/p>\n<p>Quando Jorge Ara\u00fajo regressou de Pa\u00e7os de Ferreira \u00e0 Rua do Hero\u00edsmo, a sorte tinha batido \u00e0 porta. As obras no edif\u00edcio tinham obrigado \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o de um andaime, que permitiria finalmente subir ao muro que separava a PIDE do cemit\u00e9rio do Prado Repouso.<\/p>\n<p>Decidido sobre a fuga que queria encetar, tentou perceber a escala de servi\u00e7o dos guardas e ao saber que o guarda Pinto trabalharia na noite de 6 de Agosto marcou a fuga para esse dia.<\/p>\n<p>Chegado o dia, Jorge Ara\u00fajo pediu para ir \u00e0 casa de banho. Subiu ao primeiro andar com o guarda Pinto mas, uma vez l\u00e1 chegado, disse que se tinha esquecido do papel higi\u00e9nico. Como o guarda era mais lento, desceu rapidamente, abriu o ferrolho da cela de Silva Marques e subiu de novo. Parte do plano funcionara. Depois, atrav\u00e9s de um c\u00f3digo morse pr\u00f3prio dos presos, codificado, disse aos companheiros das celas do primeiro andar para pedirem para ir \u00e0 casa de banho e conterem o guarda Pinto o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel nesse andar, para que, abertas as portas, os dois de baixo conseguissem fugir e levar o m\u00e1ximo de vantagem sobre a PIDE, que seria logo alertada mal o guarda Pinto percebesse a fuga.<\/p>\n<p>Este s\u00f3 se apercebeu quando foi trancar as celas, \u00e0s nove da noite, como mandava o regulamento. Fez o acto do costume, contar os presos e trancar as portas. Apercebeu-se da fuga e fez soar o alarme. Contudo, o impasse que os presos do andar superior conseguiram criar ao guarda deu-lhes bastante avan\u00e7o.<\/p>\n<p>O dedo ensanguentado<\/p>\n<p>Mais de quarenta anos depois, e perante uma plateia sedenta de hist\u00f3ria viva, Jorge Ara\u00fajo conta ainda entusiasmado os pormenores da fuga. O guarda, o ferrolho, o andaime&#8230; &#8220;Subimos o andaime e salt\u00e1mos para o cemit\u00e9rio. Ao cair cortei-me no dedo e envolvi-o com um len\u00e7o, o que se veio a revelar importante, mais tarde. Com passos largos mas em sil\u00eancio, respeitoso sil\u00eancio, dirigimo-nos \u00e0 sa\u00edda do cemit\u00e9rio. Como j\u00e1 estava fechado tivemos de saltar as grades e o Silva Marques magoou-se no peito&#8221;, contou.<\/p>\n<p>N\u00e3o encontraram t\u00e1xis, mas aparece um homem, caixeiro-viajante, que vacilou aos argumentos de Jorge Ara\u00fajo e Silva Marques de precisarem de ajuda hospitalar urgente \u2013 mostrando a m\u00e3o ensanguentada envolvida num len\u00e7o e o ferimento no peito \u2013 que os deixou numa pra\u00e7a de t\u00e1xis. Apanharam o primeiro t\u00e1xi para o hospital, mas n\u00e3o entraram, naturalmente. Apanharam um segundo e um terceiro&#8230; &#8220;e l\u00e1 fomos para onde t\u00ednhamos de ir&#8221;, esconde.<\/p>\n<p>O guarda<\/p>\n<p>Jorge Ara\u00fajo contou ainda que mais tarde veio a saber que o guarda acabou por ser detido, logo nesse noite, tendo sido torturado durante tr\u00eas dias seguidos. Ainda esteve algum tempo preso, porque a PIDE continuava a pensar que ele estaria conivente com a fuga. Contudo, o que se tratou foi simplesmente de oportunidade, at\u00e9 porque os restantes guardas eram implac\u00e1veis nunca se afastando dos presos mais de um metro, mesmo quando era para ir \u00e0 casa de banho. Passado algum tempo, o Guarda Pinto foi mesmo expulso.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retirei da Internet, do site do jornal &#8220;O Primeiro de Janeiro&#8221; de 17\/07\/2006, o artigo abaixo. 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