{"id":310,"date":"2008-07-10T11:21:24","date_gmt":"2008-07-10T10:21:24","guid":{"rendered":"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/?p=310"},"modified":"2008-07-13T11:27:01","modified_gmt":"2008-07-13T10:27:01","slug":"50-anos-da-carta-de-d-antonio-ferreira-gomes-a-salazar-evocados-domingo-em-coimbra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2008\/07\/10\/50-anos-da-carta-de-d-antonio-ferreira-gomes-a-salazar-evocados-domingo-em-coimbra\/","title":{"rendered":"50 anos da carta de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes a Salazar evocados domingo em COIMBRA"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Cidad\u00e3os de Coimbra evocam domingo a carta a Salazar que o bispo do Porto D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes escreveu h\u00e1 50 anos, demonstrando que uma parte da Igreja Cat\u00f3lica estava contra a ditadura\u00a0<\/p>\n<p>O historiador Amadeu Carvalho Homem, que participa na homenagem ao prelado que desafiou Ant\u00f3nio Salazar, disse hoje \u00e0 ag\u00eancia Lusa que o ditador <strong>\u00abn\u00e3o foi capaz de contestar os aspectos fundamentais da carta\u00bb<\/strong>.<span><\/p>\n<p><\/span><strong>\u00abUma certa Igreja estava em profunda discrep\u00e2ncia com o regime\u00bb<\/strong>, sublinhou, lembrando que <strong>\u00abSalazar teve sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de se apresentar como muito pr\u00f3ximo das estruturas\u00bb<\/strong> da Igreja de Roma, chefiada em Portugal pelo seu amigo cardeal Ant\u00f3nio Cerejeira.<span><\/p>\n<p><\/span>Al\u00e9m de Carvalho Homem, catedr\u00e1tico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (UC), interv\u00eam na sess\u00e3o evocativa Jos\u00e9 Manuel Pureza, professor da Faculdade de Economia da UC, e Jos\u00e9 Dias, membro do movimento c\u00edvico N\u00e3o Apaguem a Mem\u00f3ria e principal promotor do programa.<span><\/p>\n<p><\/span><strong>\u00abA carta do bispo do Porto produziu o efeito de uma bomba\u00bb<\/strong>, por revelar que, ao contr\u00e1rio da ideia que Salazar tentava fazer passar, <strong>\u00abhavia em Portugal, afinal, duas igrejas\u00bb<\/strong>, uma tradicional e conservadora \u2013 <strong>\u00abmais ou menos c\u00famplice de tudo o que o Estado Novo fazia\u00bb<\/strong> \u2013 e outra progressista, que tinha cr\u00edticas a fazer-lhe.<span><\/p>\n<p><\/span>Frisando que D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, condenado ao ex\u00edlio por ter posto em causa a ditadura, <strong>\u00abera um dos grandes intelectuais portugueses do seu tempo\u00bb<\/strong>, Carvalho Homem disse que a carta a Salazar veio <strong>\u00abacrescentar uma dimens\u00e3o pol\u00edtica\u00bb<\/strong> \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o enquanto pastor da Igreja.<span><\/p>\n<p><\/span>Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Lusa, Jos\u00e9 Manuel Pureza disse que a carta do bispo do Porto <strong>\u00abem bom rigor n\u00e3o era uma carta\u00bb<\/strong>, mas antes <strong>\u00abum documento preparat\u00f3rio de uma reuni\u00e3o\u00bb<\/strong> que D. Ant\u00f3nio teria com Salazar.<span><\/p>\n<p><\/span>Foi escrito a 13 de Julho de 1958, no rescaldo das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, ganhas pelo candidato do regime, Am\u00e9rico Thomaz, um desfecho contestado pela oposi\u00e7\u00e3o, que apoiava Humberto Delgado.<span><\/p>\n<p><\/span>Na carta, o prelado afirmava <strong>\u00abque o comunismo pode coincidir com certas incid\u00eancias concretas da sociologia crist\u00e3, que lhe \u00e9 anterior, sem que por isso haja raz\u00e3o ou vantagem em falar de filocomunismo ou criptocomunismo para lan\u00e7ar a divis\u00e3o entre crist\u00e3os\u00bb<\/strong>.<span><\/p>\n<p><\/span>O bispo do Porto dirigia-se a um ditador que n\u00e3o conhecia o estrangeiro e que nunca visitou os territ\u00f3rios de al\u00e9m-mar que constitu\u00edam o imp\u00e9rio <strong>\u00abdo Minho a Timor\u00bb<\/strong>.<span><\/p>\n<p><\/span><strong>\u00abApesar do meu feitio sedent\u00e1rio, n\u00e3o tenho nos \u00faltimos anos recusado as oportunidades que se me oferecem de viajar pela Europa (\u2026). N\u00e3o poderei dizer quanto me aflige o j\u00e1 hoje exclusivo privil\u00e9gio portugu\u00eas do mendigo, do p\u00e9-descal\u00e7o, do maltrapilho\u00bb<\/strong>, lamentava.<span><br \/>\n<\/span>Para Jos\u00e9 Pureza, a carta a Salazar \u00e9 <strong>\u00abum gesto de muita coragem\u00bb<\/strong> e traduz <strong>\u00abuma reflex\u00e3o cr\u00edtica vinda da Igreja, considerada um dos pilares do regime\u00bb<\/strong>.<span><\/p>\n<p><\/span>O docente universit\u00e1rio salientou que o documento de D. Ant\u00f3nio questiona <strong>\u00abaspectos centrais\u00bb<\/strong> do Estado Novo, como o corporativismo e a rela\u00e7\u00e3o do capital com o trabalho, bem como <strong>\u00aba autonomia, ou n\u00e3o, dos cat\u00f3licos face ao regime\u00bb<\/strong>.<span><\/p>\n<p><\/span>Na sua opini\u00e3o, o prelado veio afirmar tamb\u00e9m <strong>\u00abo primado da consci\u00eancia\u00bb<\/strong>, demonstrando <strong>\u00abque o pluralismo das escolhas \u00e9 um bem ao servi\u00e7o da mensagem crist\u00e3\u00bb<\/strong>.<span><\/p>\n<p><\/span><strong>\u00abA carta tem ainda um ju\u00edzo cr\u00edtico muito actual, que \u00e9 o do primado das finan\u00e7as p\u00fablicas sobre as pessoas\u00bb<\/strong>, disse, para recordar que <strong>\u00aba grande obsess\u00e3o de Salazar pelo equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas \u00e9 um velho mote da pol\u00edtica portuguesa\u00bb<\/strong>.<span><\/p>\n<p><\/span>A homenagem a D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, em Coimbra, visa <strong>\u00abn\u00e3o descuidar a mem\u00f3ria daqueles que se rev\u00eaem na atitude que tomou h\u00e1 50 anos\u00bb<\/strong>, segundo Jos\u00e9 Dias.<span><\/p>\n<p><\/span><strong>\u00abFoi a primeira vez que um destacado membro da Igreja questionou o corporativismo, apelando ao sindicalismo livre e defendendo o direito \u00e0 greve\u00bb<\/strong>, enfatizou o organizador.<span><\/p>\n<p><\/span>A sess\u00e3o realiza-se domingo, \u00e0s 11h00, junto ao monumento ao 25 de Abril, defronte do edif\u00edcio onde funcionou a PIDE, a pol\u00edcia pol\u00edtica da ditadura.\u00a0<\/p>\n<address>Lusa \/ SOL\u00a0<\/address>\n<p>\u00a0<\/p><\/blockquote>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidad\u00e3os de Coimbra evocam domingo a carta a Salazar que o bispo do Porto D. 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