{"id":32,"date":"2006-07-20T00:54:16","date_gmt":"2006-07-19T23:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/maismemoria.org\/mm\/2006\/07\/20\/a-cadeia-do-aljube-em-lisboa\/"},"modified":"2006-07-20T01:39:28","modified_gmt":"2006-07-20T00:39:28","slug":"a-cadeia-do-aljube-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maismemoria.org\/mm\/2006\/07\/20\/a-cadeia-do-aljube-em-lisboa\/","title":{"rendered":"A cadeia do Aljube, em Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>A cadeia do Aljube, instalada num edif\u00edcio que resistiu ao terramoto de 1755, era a pris\u00e3o utilizada pela PVDE\/PIDE para encarcerar os presos pol\u00edticos, no per\u00edodo da instru\u00e7\u00e3o do processo, conduzido por essa mesma pol\u00edcia. Era nesse per\u00edodo de \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d, que podia durar at\u00e9 seis meses, que os presos eram interrogados, atrav\u00e9s de torturas, e submetido a rigoroso isolamento, potenciado pela escurid\u00e3o, as estreitas celas tumulares e a p\u00e9ssima alimenta\u00e7\u00e3o. No Aljube n\u00e3o havia qualquer local para recreio e as salas e celas eram impr\u00f3prias para viver.<\/p>\n<p>A \u00absala 2A\u00bb dessa pris\u00e3o tinha uma s\u00f3 janela, gradeada e coberta por uma rede fina, com catres presos \u00e0 parede durante dia, os quais, \u00e0 noite tinham uma enxerga e duas mantas. Essa sala era, por\u00e9m, bem melhor do que os catorze \u00abc\u00e9lebres \u201ccurros\u201d ou \u201cgavetas\u201d , pequenas celas, \u00abcom cerca de um metro e vinte de largura, com catres basculantes, que, ao baixarem ocupavam todo o espa\u00e7o, obrigando o preso a ficar sentado. Esses \u201ccurros\u201d eram fechados por duas portas, uma gradeada e outra de madeira, normalmente fechada, apenas com um pequeno postigo, estando quase todo o dia mergulhadas numa semi-obscuridade.<\/p>\n<p>Eram essas as instala\u00e7\u00f5es que a PIDE usava para manter os presos incomunic\u00e1veis, no per\u00edodo mais intenso dos interrogat\u00f3rios, onde \u00aba falta de luz estava associada a todo um quadro de tortura e de viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica a que o preso estava submetido\u00bb, conforme contou um ex-detido. Durante o primeiro per\u00edodo, o preso n\u00e3o tinha acesso a caneta, nem a l\u00e1pis, nem a papel, nem a jornais, nem a livros, nem a rel\u00f3gio, nem sequer espa\u00e7o para se mover. Havia ainda a cela disciplinar, n.\u00ba 14, onde o preso estava permanentemente \u00e0s escuras, sem enxerga e, \u00e0s vezes, a p\u00e3o e a \u00e1gua.<\/p>\n<p>No seu relato, o padre angolano Joaquim da Rocha Pinto de Andrade contou que ali esteve encarcerado \u00abnuma enxovia estreit\u00edssima (&#8230;) onde a luz e o ar entravam por um postigo de 15 x 20 cm., filtrados atrav\u00e9s de duas f\u00e9rreas portas, postigo, ali\u00e1s permanentemente fechado\u00bb. A \u00abtarimba que lhe servia de cama era apenas provida de um enxerg\u00e3o sebento, duro como pedra, sendo proibido usar len\u00e7\u00f3is. \u00abSentado na tarimba, os joelhos ro\u00e7avam a parede\u00bb, isto tudo na penumbra. Devido a queixas v\u00e1rias, entre as quais da Amnistia Internacional, o Aljube acabou por ser fechado, em Agosto de 1965.<\/p>\n<p><strong>A cadeia do Aljube \u00e9 pois um dos principais paradigmas e \u00ab\u00edcone\u00bb da repress\u00e3o exercida durante a ditadura salazarista\/caetanista, pela PVDE\/PIDE\/DGS.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por isso, o Movimento \u201cN\u00e3o apaguem a Mem\u00f3ria!\u201d considera ser este um dos melhores locais para ser instalado um espa\u00e7o museol\u00f3gico, sobre o que foi a viol\u00eancia do Estado Novo e da sua pol\u00edcia pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m da luta contra a ditadura e pela liberdade.<\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cadeia do Aljube, instalada num edif\u00edcio que resistiu ao terramoto de 1755, era a pris\u00e3o utilizada pela PVDE\/PIDE para encarcerar os presos pol\u00edticos, no per\u00edodo da instru\u00e7\u00e3o do processo, conduzido por essa mesma pol\u00edcia. 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