A exposição no Aljube

– Informação –

A exposição “ A Voz das Vítimas”, a realizar na antiga cadeia do Aljube, em Lisboa, será inaugurada em Abril de 2011, provavelmente no dia 14.

Além de contemplar a história do edifício e seus achados arqueológicos, a exposição fará a história da prisão política durante a ditadura. Haverá espaços dedicados à polícia política e aos seus métodos, serão reconstituídos os célebres curros, serão expostas 48 fichas de ex-presos políticos com a fotografia tirada pela PIDE e uma pequena biografia, será descrita a vida dos presos nesta antiga prisão e também o quotidiano dos carcereiros, tanto quanto possível reproduzindo o ambiente da época.

Planeamos organizar regularmente visitas guiadas, apresentação de memórias de antigos presos, colóquios sobre a repressão no “Estado Novo”, a tortura, os tribunais plenários, as medidas de segurança, as fugas da prisão, a solidariedade com os presos políticos, os exílios, os desterros do Império, a resistência e as lutas contra o fascismo. Serão exibidos filmes e realizadas outras iniciativas como visitas de escolas.

Acção na cadeia do Aljube

O Movimento Não Apaguem a Memória! promove no próximo sábado, 1 de Julho, entre as 10h30 e o meio dia, uma concentração junto do Largo da Sé. Daí se dirigirão os manifestantes para a antiga prisão do Aljube, onde antigos presos políticos darão testemunho público da sua prisão durante o Estado Novo. O objectivo da acção é sensibilizar os poderes públicos, designadamente o Ministério da Justiça, que tem a tutela do imóvel, e a Assembleia da República, como representação do Estado, a fazer daquele espaço, meio abandonado, um local que celebre a memória e o exemplo dos que ali lutaram pelos direitos políticos e sociais em Portugal.

A cadeia do Aljube, foi a prisão utilizada pela PVDE/PIDE, a polícia política do Estado Novo, para encarcerar os presos políticos. Nesta prisão não havia qualquer local para recreio e as salas e celas eram impróprias para viver.

Os “curros” do Aljube eram pequenas celas com cerca de um metro de largura, catres basculantes, que, ao baixarem ocupavam todo o espaço, obrigando o preso à quase imobilidade. Estes “curros” eram fechados por duas portas, uma gradeada e outra de madeira, apenas com um pequeno postigo, estando quase todo o dia mergulhadas numa semi-obscuridade.

Eram essas as instalações que a PIDE usava para manter os presos incomunicáveis, durante o período mais intenso dos interrogatórios. Durante o primeiro período, não tinham acesso a caneta, nem a lápis, nem a papel, nem a jornais, nem a livros, nem a relógio, sem espaço para se moverem. Havia ainda a cela disciplinar, n.º 14, onde o preso estava permanentemente às escuras, sem enxerga e, às vezes, a pão e a água.

Devido aos protestos internacionais e a campanhas de oposição internas o Aljube acabou por ser fechado, em Agosto de 1965.